domingo, 28 de junho de 2009

Coluna do Miguel Arcanjo nº158

Despedida

Por Miguel Arcanjo Prado*


Sou do tipo que odeia despedidas. Sabe aquele lamúrio sem fim de abraços e chororô? Estou fora. Já fiz muito, é verdade, mas vi que não vale a pena. Prefiro um até mais, a gente se vê em breve. Acho que tem que ser assim, sem tramas, sem dramas.

Na última sexta, vivenciei o partir ao deixar a redação do jornal "Agora São Paulo" e, por conseguinte, o Grupo Folha, após pouco mais de um ano de casa. Mudar de emprego às vezes é necessário, ajuda a crescer, a ficar maduro. Mas, mesmo quando a decisão de sair é sua, é difícil dar tchau àqueles que fizeram parte de sua vida de forma tão intensa, ainda mais em um jornal no qual se trabalha muitas vezes 12, 14 horas diárias. Tamanha intensidade acaba criando dependência mútua, fruto de uma relação de cumplicidade e, sobretudo, companheirismo.

Para coroar minha despedida, Michael Jackson resolveu morrer, de supetão, bem nos meus momentos derradeiros. Assim como eu, meu xará norte-americano não quis saber de sofrimento prolongado. De preparo anterior à morte. Simplesmente se foi. De uma vez só. Deixando todos nós atônitos diante da força que só a verdade da morte tem.

E, nós, jornalistas, tão boquiabertos como o resto do mundo, tivemos ainda que deixar nossos sentimentos de lado e correr de cara para o trabalho insano de fechar um jornal de acordo com a magnitude daquela notícia. E lá fui eu contar o triste acontecimento para a Glória Maria e depois correr para falar com a turma do Olodum... No outro dia, dá-lhe ligar para as lojas de disco e outras coisas mil...

No fim, eu, que sou tão apaixonado pela notícia, gostei de todo aquele frenesi. Sair trabalhando que nem um louco acabou não dando espaço para a tristeza, para os abraços chorosos. No finzinho daquela sexta, tirei minhas coisas da gaveta quase despercebido e caminhei para a vida.

Ps. O episódio da morte de Michael Jackson fez com que o jornalismo "metido a sério" fosse obrigado a olhar com respeito para o dito "jornalismo de celebridades" ou "de fofoca", já que o furo dessa notícia pertece ao site "TMZ", especializado no mundo dos famosos e tão desprezado por muitos até que provou ao mundo todo saber fazer um irrepreensível trabalho jornalístico, como qualquer outro, tapando a boca de muita gente grande.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e segurou uma lágrima.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Novidade no SBT

Por Miguel Arcanjo Prado

O SBT estreia nova grade a partir de 6 de julho. Adianto dois novos programas: o game "Você Se Lembra?" (do formato internacional "Amnesia", que lembra o extinto de "Nada Além da Verdade"), apresentado por José Américo --José Luiz Datena Datena e Kelly Key já gravaram--, e "Só Falta Esposa", uma espécie de concurso de mulher querendo o bonitão do programa, que não vai ter apresentador. Queriam fazer "Só Falta Marido", mas as inscrições de homens foram fracas.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Coisas da TV


Eliana assina hoje com o SBT. Pelo menos foi o que ela prometeu a Silvio Santos. Roberto Justus já fez o mesmo na última sexta à noite. Enquanto isso, Theo Becker é atração no "Hoje em Dia" nesta manhã. Pelo menos assunto não falta nesta semana na televisão... Ah! Quando questionado porque ficou pelado no reality, Theo respondeu: "Estava me sentindo em casa".

Ps. A foto é do meu amigo Antonio Chahestian (Record), que é dos bons.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Crítica: "O Primo Basílio": aplausos para um musical

Por Miguel Arcanjo Prado



O musical “O Primo Basílio”, em cartaz no teatro Brigadeiro, em São Paulo, está arrebentando a boca do balão. Com elenco afinadíssimo, uma direção musical cuidadosa –sobretudo na escolha da trilha, que traz clássicos do começo da bossa nova–, feita por Dyonisio Moreno, e uma protagonista envolvente, a atriz Lígia Paula Machado, o musical é obrigatório para quem está em Sampa e curte teatro.

Lígia –que também produz a montagem com 11 atores e seis músicos, uma proeza!– interpreta Luisa, a protagonista da adaptação de Francisca Braga para o romance escrito por Eça de Queiróz em 1878.

Na montagem a história é transposta para o Rio dos anos JK, os tais Anos Dourados. No enredo, Luisa é a esposa dedicada de Jorge (Álvaro Franco). Mas tudo muda de figura quando Jorge parte para a construção de Brasília e ressurge Basílio (Luiz Araújo), seu primo da infância. Tanto Franco, que dá ao personagem o ar de homem digno dos anos 50, quanto Araújo, com seu ar cafajeste, atuam com primor. A empregada amarga Juliana é vivida com intensidade e talento por Isadora Ferrite, a antagonista do amor proibido entre Luisa e Basílio.

Taeko Tamai criou um belo figurino de época para o elenco, que atua sob a luz de Cizo de Souza. O coreógrafo Ivan Silva criou sequências esmeradas, como a do tango. Paula Capovilla preparou a voz do elenco. Um programa obrigatório para quem curte teatro benfeito.

O Primo Basílio - Sexta e sábado, às 20h30; domingo, às 19h. No teatro Brigadeiro (av. Brigadeiro Luís Antonio, 884, Bela Vista, tel. 0/xx/11 3107-5774). R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia para aposentados, acima de 65, professores da rede pública e classe artística). 16 anos. Até 6/9/2009.

Foto: Luiz Araújo e Lígia Paula Machado na envolvente cena na qual dançam tango. Divulgação

domingo, 14 de junho de 2009

Novo show do Caetano


Fui, ontem, ao novo show do Caetano, "Zii e Zie", que estreou no Credicard Hall. Só tenho uma palavra para definir o que vi: téeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeedio.

Foto: Rafael Andrade/Folha Imagem.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Boates abandonam a Parada Gay

Por Miguel Arcanjo Prado

O mau tempo se instalou entre a organização da Parada Gay e donos de boates. O motivo é o aumento da taxa para desfile de trios, que subiu de R$ 5.000, em 2008, para R$ 10 mil, neste ano. A The Week, que desfilou por dois anos, não participará e resolveu fazer sua própria festa.

"Os custos para colocar um trio ficariam muito altos", diz à coluna Flávio Lima, assessor da boate. A organização do evento afirma não concordar que o aumento da taxa seja abusivo. "É um dos maiores eventos do mundo, no qual a marca fica exposta a um público de 3 milhões de pessoas", justifica Cezar Xavier, assessor da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo.

Dos 20 trios que desfilarão na av. Paulista, neste domingo, a partir das 12h, a maioria será de entidades de defesa dos direitos homossexuais -que não pagam a taxa- ou de órgãos públicos. Todos tocarão o "LGBTema", uma espécie de hino oficial. A SPTuris espera 400 mil turistas, que deverão deixar R$ 190 milhões na economia paulistana.

Publicado na coluna Olá!, do jornal Agora São Paulo, 10/6/2009.

terça-feira, 9 de junho de 2009

"Gosto mesmo é de barraco", diz Aguinaldo Silva

Por Miguel Arcanjo Prado

Aguinaldo Silva polemiza em seu blog. O novelista escreveu que já entregou à Globo a sinopse da novela "Marido de Aluguel". Mas disse que só aceita o horário das oito. "Chiquerésimo como sou, não escrevo para horários menos nobres", postou.

Silva explica a razão do blog: "Estou novelista, mas sou mesmo, e sempre serei, jornalista. Na época de 'Duas Caras', pensava que o blog fazia sucesso por causa da novela. Mas, depois, ele bombou mais ainda. Neste momento, estou com média de mil comentários e 130 mil acessos por dia", vangloria-se.

Silva diz que o blog o faz se sentir "mais vivo e atuante que nunca". "Tudo o que escrevo repercute, geralmente, de modo escandaloso. E eu adoro isso, pois gosto mesmo é de um barraco, de um escândalo [risos]."


Foto de Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem

Publicado no Agora São Paulo em 9/6/2009.

Rita Lee ao vivo

Por Miguel Arcanjo Prado

A paulistana Rita Lee, 61 anos, não quer saber dessa história de ser lenda do rock. "Mito? Não tenho distanciamento de mim mesma para saber que papel ocupo nesse teatro", diz. No DVD que relembra seus 40 anos de carreira, "Multishow ao Vivo Rita Lee", a cantora demonstra a mesma atitude jovial que exibia quando apareceu, no 3º Festival da MPB da Record, em 1967, que também consagrou Gilberto Gil.

Na produção, Rita surge solta e próxima do público. Há momentos engraçados, como quando ela coloca um chapéu de cangaceiro, assume o triângulo e desconstrói a música dos Beatles "I Want to Hold Your Hand" na versão "O Bode e a Cabra". E também emocionantes, como na mistura de "Baby" com "Domingo no Parque", "Panis et Circense", "Bat Macumba" e "Alegria, Alegria", no arranjo que reverencia a Tropicália, movimento que a lançou.

Questionada sobre a razão de sua longevidade artística e de seus amigos Gil e Caetano Veloso, Rita brinca, com um fundo de verdade. "Será que é porque somos geniais?", devolve, gargalhando. E abre guerra à nostalgia: "Não sou saudosista. Odeio 'revivals'. Não acho que nada do meu tempo era melhor".

A direção do DVD é de Rodrigo Carelli --responsável pelo último DVD de Ivete Sangalo e diretor de "A Fazenda" (Record). "Ele é um amor de pessoa, aberto, tem bom gosto, e sua equipe foi superlegal", elogia.

Próximo disco
Se o trabalho atual, mesmo sob roupagem contemporânea, olha para o passado, o próximo será um disco de novidades. "Temos várias inéditas ainda em demo... Resta escolher as melhores e entrar no estúdio. Uma delas é 'O Povo Brasileiro', que faz um deboche e uma declaração de amor à loucura da nossa gente", adianta. "A inspiração não avisa quando aparece, só tenho de estar pronta para ouvir o que o santo diz quando baixa."

Roqueira convicta, alfineta o cenário atual. "Cada geração tem o rock que merece", dizendo gostar da banda Ruanitas. E lembra do roubo de seus instrumentos, em 2008. "Na hora que soube, foi como um estupro. No dia seguinte, fiquei deprimida, no terceiro dia, ressuscitei dos mortos, tive vontade de pegar a metralhadora. No quarto, meditei e entendi que nesta vida a gente deve se desapegar das coisas." Rita, que botou fogo na escola onde estudou --ou melhor, ela corrige: "Não exagere... Botei fogo no teatro da escola"--, diz que não é mais a ovelha negra da família. Mas explica: "Minha família antiga já não existe mais... Minha nova família é feita de ovelhas negras".

Publicado no Agora São Paulo, em 9/6/2009.

Por dentro do 'Programa do Ratinho'

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos Guilherme Lara Campos/Folha Imagem

Aos 53 anos, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, aposta no popular. E não tem vergonha disso. A reportagem acompanhou os bastidores do "Programa do Ratinho" que foi ao ar ao vivo, das 17h30 às 18h30, na última quinta-feira. Há um mês no ar, Ratinho recebeu a visita com a segurança de quem conseguiu triplicar a audiência do SBT no horário --seu programa marca entre 6 e 7 pontos no Ibope. Antes, o horário tinha 2 pontos.

De segunda a sexta, Ratinho segue para os estúdios do SBT, em Osasco, logo após sua caminhada matinal de uma hora. "Gosto de chegar cedo e ficar no meio da produção, dizendo põe isso, põe aquilo", conta. A uma hora de entrar no ar, tudo fica agitado. O apresentador faz a maquiagem e veste a roupa, separada pelo figurinista Luciano Amorim, que mudou o estilo do apresentador. "Antigamente, o programa era um circo. Então, eu colocava o Ratinho bem colorido. Agora, está mais sóbrio, mais chique", afirma Amorim.


Esquentando a plateia


Enquanto Ratinho se apronta, o produtor Daniel Modesto escreve as dálias --cartazes com informações para o apresentador, que não usa ponto eletrônico. "Escrevo as atrações e as marcações", conta. No palco, o músico Camilo Reis, vocalista da banda --de seis integrantes-- do programa, diverte a plateia com concursos de dança e de canto. "No estúdio, faz muito frio, então, é preciso esquentar a plateia. Converso, brinco e explico como funciona", diz.

Uma das instruções é que, diante de um discurso do apresentador, a plateia pode --e deve-- aplaudir com vigor e sapatear no tablado. O ensinamento é seguido à risca pela aposentada Izabel Bezerra dos Santos, 60 anos, assim que o programa começa. "Sempre assisti pela TV. É minha primeira vez e estou me divertindo muito. Estou amando essa energia", disse, espevitada.

Ratinho dá boa noite e logo chama uma reportagem sobre briga de torcedores. Daí, ele xinga e depois inventa passos de dança com o improviso sonoro da banda, antes de receber a secretária italiana Valentina Francavilla --que só fala italiano, e ele não entende nada. Depois, vai até o auditório e volta para fazer merchandising e discursar contra a bandidagem e os políticos. "Quem briga no estádio tem de apanhar na cara!", é um de seus gritos. A plateia aplaude, sapateia e grita o nome do apresentador, instigada pela produtora Vanessa Guzzo.

Depois, ele atende as ligações dos telespectadores, que tentam adivinhar quais das seis enfermeiras no palco são homens e quais são mulheres. Oferece R$ 1.400. Ninguém acerta. Sobe para R$ 2.000. Mais erros. Uma hora de programa voa, e tudo acaba com o boa noite. Já no camarim, enquanto termina de trocar de roupa, Ratinho diz ter "trocado a baixaria pela alegria". "Estou fazendo um programa alternativo, sem apelar." E tenta quantificá-lo. "A gente quer fazer 20% de jornalismo, 50% de humor, e o resto é entretenimento."

Questionado se não fica tentado a voltar com os testes de DNA, responde: "O Silvio Santos não quer. Se precisar, a gente faz, mas só se for tipo de um cantor famoso".

Ganhando menos

Para voltar ao ar, Ratinho teve de abrir mão de seu antigo salário. "Eu ganhava muito no SBT, quase R$ 2 milhões. Era um funcionário muito caro. Então, o Silvio me deixou fora do ar um ano porque decidiu que não queria mais baixaria. Ele me propôs uma sociedade, como fez com o Gugu e o Netinho. E está dando resultado, com lucro. Hoje, eu ganho menos, mas acredito que em dois meses vou ganhar o que ganhava." E Ratinho quer ser o rei da tarde? "Com certeza eu vou ser o rei da tarde. Eu acho até que a atração poderia ir até as 19h porque eu pegaria o público masculino também", diz, todo confiante.

No "Programa do Ratinho", Carlos Massa conta com dois companheiros para não ficar perdido no ar: Sombra e Xaropinho. O Agora desfaz o mistério, mostra os rostos e conta quem são eles.


Braços direitos do apresentador


O radialista Alvino Batista Soares, 52 anos, com quase 30 de rádio e 15 de TV, é a voz misteriosa do Sombra. "Certa vez, uma mulher me reconheceu pela voz no terminal Tietê. Achei esquisito", diz. Soares é uma espécie de segunda voz do apresentador. "O Ratinho não usa ponto eletrônico. Tenho de ficar atento a tudo o que ele fala. Porque, se ele esquece de alguma coisa, ele me chama."

O outro auxiliar de Ratinho é Eduardo Mascarenhas, 35 anos. Há dez ele dá vida ao boneco Xaropinho, cuja função é levar humor ao programa e servir de escada para as falas do apresentador. "Dou um tempero ao programa. O Ratinho é o Ronaldinho. A gente tem de jogar a bola para ele fazer gol", afirma.



Mascarenhas conta que Xaropinho tem um grande número de fãs adultos. "O Xaropinho não é um boneco pedagógico. Ele é entretenimento puro", filosofa. Para ele, assim como no caso da apresentadora Maisa, a espontaneidade de Xaropinho fez seu sucesso.

Dentro de um buraco no cenário, onde tem um monitor para acompanhar o programa, Mascarenhas já passou de tudo. "Já cortaram meu microfone, já levei sapatada. Mas o pior foi no dia em que minha mulher quis conhecer meu trabalho. A Rita Cadillac veio, e o Ratinho falou que eu tinha de beijar a bunda dela", conta, sorrindo. E beijou? "Eu não. Mas o Xaropinho sim". Então, tá.

Publicado no Agora São Paulo, em 9/6/2009.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Multishow Registro Ivete Sangalo - Pode Entrar

Na última terça-feira, estive em Salvador, onde entrevistei Ivete Sangalo, por conta do lançamento de seu novo disco. A cantora fez entrevista coletiva no Yacht Clube Bahia, ao lado do Porto da Barra, praia onde aprendi a nadar, aos seis anos, pulando do quebra-mar. Abaixo, o resultado dessa viagem.


A mistura de Ivete

Por Miguel Arcanjo Prado


"Eu moro na saída do Carnaval", diz Ivete Sangalo, para explicar onde fica sua casa, lugar no qual gravou em 12 dias o CD e o DVD "Multishow Registro Ivete Sangalo - Pode Entrar", que chegam às lojas nesta sexta-feira. O apartamento da cantora fica no alto do edifício Morada dos Cardeais, no Campo Grande, praça de onde partem os trios elétricos no Carnaval de Salvador, inclusive o dela. Ao fundo, o prédio tem a vista da baía de Todos os Santos.

Dona de uma intimidade disputada por revistas de celebridades, Ivete Sangalo resolveu mostrá-la no DVD. Ela aparece no vídeo acordando e escovando os dentes. "Meu público gosta de ver essas coisas. Foi para meus fãs que eu deixei tudo isso aparecer, meu cachorrinho, eu escovando os dentes. Mas o mais importante sempre foi a música. Por isso, prevaleceu o áudio e não a imagem na hora de escolher uma tomada. Todas as faixas que estão no DVD são as que valeram o áudio", afirma.

"O disco tem uma cara de simplicidade, apesar de toda a superprodução que o envolveu", diz a cantora. O registro audiovisual foi feito todo na casa de Ivete, em 12 dias, e vai ao ar hoje, às 21h30, no canal pago Multishow.

A cantora o define como um reality show com propósito musical. Mantendo a fidelidade à axé music --a percussão é marcante no álbum--, Ivete faz uma mistura corajosa de ritmos e nomes em seu novo trabalho (leia mais acima). Cantam a seu lado Maria Bethânia, Marcelo Camelo, Lulu Santos, Aviões do Forró, Carlinhos Brown, Saulo Fernandes e Mônica San Galo, sua irmã. Vanessa da Mata foi convidada, mas não pôde participar porque estava na Europa nos dias da gravação. "Meu critério de escolha foi o talento desses artistas. Dentre todos, destaco Maria Bethânia, que era meu sonho antigo de consumo. Fazia duetos com ela desde pequena. Colocava o vinil e cantava junto."

O clima intimista resultou em faixas como "Teus Olhos", com Marcelo Camelo, com ares de bossa nova, e em baladas românticas como "Meu Segredo" e "Agora Eu Já Sei" --esta última com cara de trilha sonora de novela dos anos 80. Ivete ainda bebeu na fonte do forró e do zouk, sem deixar de lado, é claro, aquelas canções que farão sucesso nos trios, colocando os foliões para dançar.

"O que mais me orgulha nesse trabalho é a forma como Salvador foi colocada. A minha terra é essa, e é daqui que tiro tudo o que sei", diz. Enquanto, no DVD, os sete convidados ilustres entram e saem do estúdio montado em sua casa, a cidade surge como cenário para bate-papos, seja no tabuleiro da baiana do acarajé, seja com sua empregada Sandra, tão presente quanto os artistas. Ao todo, são 17 músicas.

A Banda do Bem, que acompanha a cantora há dez anos, também está no trabalho. "Toda a concepção musical foi feita de forma coletiva e muito natural", conta. O novo álbum é a primeira empreitada da cantora na Caco Discos, da qual é dona, em parceria com a Universal e o Multishow. Isso significa um momento de maior domínio da carreira? "Sempre controlei minha carreira. Gosto da parceria com a Universal e o Multishow. Uma andorinha só não faz verão".

O QUE IVETE DIZ DOS CONVIDADOS

Maria Bethânia
Maria Bethânia é um sonho de consumo para qualquer artista. Quando despontei na Banda Eva, a Bethânia deu uma entrevista e falou que eu seria uma grande cantora, quiçá a maior do país. Ela se encaixou nesse projeto com todas as honras.

Lulu Santos
Minha relação com o palco tem a ver com que eu vi dele nos shows que ele fazia em Salvador. Eu falava para o meu pai: eu te ligo quando acabar. Porque em show de Lulu você nunca sabe quando termina.

Saulo Fernandes
Saulo é um pé quente danado. A presença dele é incrível.

Mônica San Galo
Sempre queríamos fazer algo juntas, mas náo achávamos a sintonia certa. Ela me dizia, com você pulando no palco eu não vou, não! Esse disco foi o momento adequado para esse encontro acontecer

Aviões do Forró
Tem coisa melhor do que Aviões do Forró, minha gente? O contemporâneo é muito bem vindo no disco. Prefiro desfrutar deles agora.

Marcelo Camelo
Camelo e eu ficamos amigos no DVD do Sandy e Jr. Depois, fiquei sabendo que ele tocou "Flor do Reggae"em um show que fez em Salvador. Ele é um querido de coração aberto. Quando o conheci fiquei surpresa porque ele sabia cantar todo o meu repertório.

Carlinhos Brown
Brown é aquele entusiasmo físico. Eu conheço ele de há muito tempo e sei do potencial que ele tem.

FAIXA A FAIXA DO DISCO

1 - "Balakbak"
(Esquisito/Pururu/Binho Nunes/Sand Vidal)
A faixa que abre o disco traz uma Ivete com ares tropicalistas, num ritmo percussivo daqueles que dá vontade de sair dançando o "swing gostoso", como diz a letra.

2 - "Cadê Dalila"
(Carlinhos Brown/Alain Tavares)
Consagrada no último Carnaval, a canção impressiona pela coragem da cantora em misturar ritmos percussivos árabes e baianos. E não é que deu certo? O refrão levanta qualquer plateia.

3 - "Teus Olhos"
(Marcelo Camelo)
Ivete surge com voz grave e serena, em um clima bossa nova, ao lado do ex-Los Hermanos Marcelo Camelo, também cantando baixinho. Canção para escutar sem nenhum outro barulho.

4 - "Agora Eu Já Sei"
(Ivete Sangalo/Gigi)
A música lembra trilha de novela das oito dos anos 80, com forte presença do teclado e letra de rima fácil e pegajosa. Balada romântica para tocar na FM.

5 - "Brumário"
(Lulu Santos)
A música de Lulu Santos ganha a baianidade típica de Ivete, por mais que a guitarra pesada ainda soe. Apesar do domínio da percussão, a música ainda é de Lulu, sobretudo quando sua voz, inconfundível, entra.

6 - "Meu Segredo"
(Ramon Cruz)
Ivete volta a cantar sozinha nessa simples balada romântica que fala de dor-de-cotovêlo.

7 - "Completo"
(Ivete Sangalo/Gigi)
Ivete canta em dueto com a irmã mais velha, Mônica San Galo. A voz de Ivete fica suave diante da potência do grave da irmã. A faixa é o momento família do disco. A música lembra aquelas canções de formatura na escola.

8 - "Eu Tô Vendo"
(Ivete Sangalo/Gigi/Fabinho O'brian)
A faixa traz forte pegada percussiva do timbal e chama o balanço do corpo. Música feita para cantar no trio.

9 - "Na Base do Beijo"
(Alain Tavares/Rita Mendes)
Bem dançante, a faixa tem guitarra pesada e percussão onipresente, além de um verso que se repete quatro vezes na mesma estrofe: "Vamos namorar beijar na boca". Perfeita para micareta.

10 - "Sintonia e Desejo"
(Ivete Sangalo/Gigi)
O forró invade o disco nesta faixa, que tem participação da banda Aviões do Forró. Descontraída, a música foi feita sob medida para um bom arrasta-pé. Para dançar coladinho.

11 - "Oba Oba"
(Ivan Lawinscky/Ivan Brasil/Sinho Maia)
Espécie de axé misturado com o ritmo africano zouk, que encantou Ivete em sua viagem a Angola. A canção fala das ligações da Bahia com a África.

12 - "Viver com Amor"
(Ramon Cruz)
Bastante pop e com cara de anos 80, a música traz a leveza com que os baianos encaram a vida, com aquela certeza eterna de felicidade expressa na letra.

13 - "Vale Mais"
(Ivete Sangalo/Ramon Cruz)
Ivete repete a dobradinha romântica que deu certo no último disco e faz mais um dueto no estilo com Saulo Fernandes, da Banda Eva.

14 - "Meu Maior Presente"
(Ramon Cruz)
Canção pop com presença marcante da bateria. Tem letra romântica que fala do "amor que hoje eu levo dentro do meu peito".

15 - "Quanto ao Tempo"
(Carlinhos Brown/Michael Sullivan)
Apesar de Ivete dizer que a faixa é um "rock progressivo", a canção está mais para música açucarada das madrugadas das FMs. Carlinhos Brown canta junto.

16 - "Muito Obrigado Axé"
(Carlinhos Brown)
Maria Bethânia faz dueto com Ivete, na canção que fala dos orixás e do candomblé. Apesar da postura reverente de Ivete diante de Bethânia, a dona do disco canta à altura da convidada. O melhor do álbum.

17 - "Não me Faça Esperar"
(Fabinho O'brian)
O samba-reggae tem levada gostosa, percussão baiana, forte presença dos backings vocais e aquela cara de música de Ivete Sangalo. Fecha o disco com a cara da artista.


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Luluzinha vira adolescente

Por Miguel Arcanjo Prado

Após o êxito de "Turma da Mônica Jovem", com vendas na casa dos 400 mil exemplares, mais uma personagem cresce. A Ediouro lança nesta sexta-feira, com 100 mil exemplares, a primeira edição mensal de "Luluzinha Teen e Sua Turma", com traços em mangá. Ela, Bolinha e seus amigos surgirão com 16 anos.

O embate entre meninas e meninos ficou para trás. "Hoje, os adolescentes estão todos juntos. Fizemos pesquisas, e os leitores mostraram que queriam que eles crescessem", diz Daniel Stycer, editor-chefe, que trabalha com outros nove profissionais. O projeto foi desenvolvido pela Labareda Design, e Renato Fagundes assina o roteiro.

Stycer não gosta de falar em concorrência com Mônica. "Há leitores ávidos por histórias legais. Tem mercado para todo mundo."

Fotos: Divulgação

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Foto do fim de semana



Este vosso Arcanjo na entrada do Cine Marabá, em São Paulo, no dia de sua reabertura ao público, no último sábado (30).

Foto: Robson Ventura/Folha Imagem