domingo, 31 de maio de 2009

Última chance

Este domingo (31) é o último dia para ver em São Paulo dois espetáculos que deram o que falar:

O primeiro é "Lúcio 80-30", escrito e dirigido por Lúcio Mauro Filho para homenagear seu pai, o grande comediante Lúcio Mauro. Outros dois filhos do ator participam da peça: Alexandre Barbalho e Luly Barbalho. Tudo se passa em um hospital onde Mauro convalesce, e o filho o convence a fazer uma peça em família. O texto e a direção são ruins, mas ver Lúcio Mauro, o pai, em cena vale a pena! Veja serviço.

O segundo que deixa Sampa é "7 - O Musical", uma espécie de versão moderninha e bastante surreal para a história de Branca de Neve. Da dupla competente Botelho & Möeller, a peça traz Rogéria em ótimo momento. Neste sábado, estive na plateia e, ao fim, ela foi a única do elenco que saiu para o hall do teatro Sérgio Cardoso para conversar com seus fãs. Diva com consciência. Veja serviço.

Cine Marabá reabre no centro de SP

Por Miguel Arcanjo Prado

Depois de passar por uma reforma de R$ 8 milhões, foi reaberto ontem o Cine Marabá, na av. Ipiranga, 757. Fundado em 1945, o prédio estava fechado desde 2007. A sala original de 1.655 lugares foi transformada pelo arquiteto Ruy Ohtake em cinco salas, com total de 1.022 poltronas. Na sala 1, a maior, cabem 430 pessoas. "Nela, serão exibidos grandes lançamentos e filmes em 3D", diz Elda Bettin Coltro, presidente do grupo Playarte, responsável pela empreitada. "O Marabá ficou moderno respeitando as características da sala que faz parte da história."

Oito longas são exibidos e cerca de 20 postos de trabalho foram criados, como o do atendente Tadeu Muniz, 21 anos, que estava desempregado havia seis meses. "Vou poder também ver os filmes", comemora.

A operadora de trânsito Claudirene Silva, 41 anos, levou os filhos, Adriano, 19 anos, e Igor, 6 anos. "Moro no centro e venho aqui desde os 14 anos. O Marabá faz parte da minha história".

O casal Paulo Moraes, 66 anos, e Amália Fazia, 65 anos, também ficaram nostálgicos. "Eu me produzia toda e tomava o bonde para vir", lembra Amália. "Para homens, terno e gravata era obrigatório", diz Moraes. Eles só reclamaram da falta de estacionamento. A dona do cinema responde: "Fizemos um convênio com o estacionamento do Bar Brahma [R$ 12]. Assim, após o cineminha, o público pode beber algo". Outra dica é ir de metrô, já que o Marabá fica próximo à estação República.

Confira aqui a programação do Marabá.

Publicado no Agora São Paulo, em 31/5/2009. Foto: Cibele Simões/Divulgação.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Coluna do Miguel Arcanjo nº 157

UM SHOW PARA A HISTÓRIA

Por Miguel Arcanjo Prado


Ao chegar ao Teatro Municipal, por volta das 20h da última terça-feira (26), com a missão de cobrir o show “Elas Cantam Roberto – Divas” para o jornal “Agora São Paulo”, deparei-me com o grande alvoroço. Muita gente, carros e flanelinhas cobrando R$ 50 para guardar o carro nas ruas do centro de São Paulo. Na porta, os rapazes do “Pânico” e do “CQC” faziam a alegria dos populares, apesar da fraca lista de celebridades na plateia. Não no palco.

O ministro dos Esportes, Orlando Silva, foi um dos primeiros a aparecer no imponente saguão, acompanhado da mulher, a atriz Ana Petta. Perguntei a ele qual música gostava do repertório do Roberto. Ele disse que era “Amigo”, porque a família costumava cantar no Natal quando ele era pequenino. Fiz a mesma pergunta ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que me respondeu: “Nenhuma”. Pelo jeito, ele não deve gostar muito do Rei e estava ali apenas como político. Tudo bem.

A imprensa estava um pouco perdida antes de o show começar. Como não havia celebridades a se fotografar, os ricos acabaram ganhando os flashes. Não os meus, evidentemente, que tratei logo de entrar, ao ouvir o terceiro sinal. Mário Canivello, assessor do evento, foi bonzinho dessa vez e me colocou na terceira fila, de cara para o gol, quer dizer, para o palco. Seria um lugar realmente mais privilegiado, se não fossem os dois obesos ao meu lado.

Marcado para 21h, o show não atrasou tanto, sobretudo quando os parâmetros de comparação são os joãogilberteanos. Ás 21h35, as cortinas do Municipal se abriram, e Hebe Camargo surgiu esplendorosa em um vestido branco e com joias que só ela consegue sustentar. Cantou “Você Não Sabe” (Roberto/Erasmo Carlos) em uma interpretação contida e afinada. Saiu ovacionada e aos gritos de “Gracinha!!!”.

Depois foi a vez de mãe e filha, Zizi e Luiza Possi, entrarem para cantar “Canzone per Te” (Sergio Endrigo/Segio Bartotti). Apesar de o microfone de Luiza não ter funcionado no começo, elas cumpriram o combinado. Zizi, ainda bem nervosa, errou a introdução de “Proposta” (Roberto/Erasmo Carlos), que cantou sozinha.

Mas logo elas foram esquecidas pelo público, quando este viu entrar Alcione, a nossa Aretha Franklin. Ela fez o que bem quis com “Sua Estupidez” (Roberto/Erasmo Carlos). A segurança era tanta que parecia que ela estava cantando em uma pracinha do Andaraí. Coisa de quem pode.

Fafá foi a seguinte, tímida no começo, mas esfuziante em seu vestido preto justo. Com maquiagem e penteado sereno, fez “Desabafo” (Roberto/Erasmo Carlos). Com o desenrolar da música, ganhou confiança e saiu com seu sorriso marcante. Celine Imbert seguiu com “A Distância” (Roberto/Erasmo Carlos), numa interpretação que prometia muito mais do que mostrou, já que era a única cantora lírica no evento. Não marcou.

Logo após, Daniela Mercury surgiu para ser o grande mico do show. Acompanhada por bailarinos, negros e lindos, surgiu de vestidinho curtíssimo para cantar “Se Você Pensa” (Roberto/Erasmo Carlos). O problema foi que seu microfone estava desligado e ela não percebeu isso até cantar os três primeiros versos. Após o vexame, voltou para trás do palco e fez tudo de novo. Um painel gigante de Roberto jovem testemunhou tudo.

A baiana melhorou um pouco quando entrou Wanderléa, que parecia sua irmã gêmea, com um figurino tão duvidoso quanto. As duas foram as únicas de pernas de fora. Se bem que Wanderléa estava, no mínimo, sendo autêntica com seu passado. Fizeram dueto em “Esqueça” (Mark Anthony/versão de Roberto Corte Real) e o público esqueceu os bailarinos equivocados de Daniela.

Depois, Wanderléa fez sozinha “Você Vai Ser o Meu Escândalo” (Roberto/Erasmo Carlos), enquanto imagens dela e de Roberto na juventude eram projetadas. A Ternurinha fez uma apresentação memorável, digna de Diva. Cantou com a verdade que só a vida dá e ganhou um buquê de rosas vermelhas que levou para a coxia.

Rosemary parecia uma boneca Barbie com seu longo e luvas cinza. Primeira a cantar com pedestal, ela fez direitinho “Nossa Canção” (Luiz Ayrão). A plateia ajudou e cantou junto. Fernanda Abreu trouxe os backings vocais para a frente do palco para cantar a politizada “Todos Estão Surdos” (Roberto/Erasmo Carlos). De vestidinho estampado, pediu a plateia para marcar o ritmo com palmas e berrou: “Eu quero ouvir o Municipal”. Pelo menos conseguiu imprimir seu estilo. Mesmo que duvidoso.

Paula Toller fez uma chatíssima versão, já conhecida, de “As Curvas da Estrada de Santos” (Roberto/Erasmo Carlos). Tipo daquelas que não ficam na lembrança. Melhor pular para a próxima.

Quem dormiu durante a apresentação da pseudo-roqueira logo acordou quando Marília Pêra entrou para fazer “120, 150, 200 km por Hora” (Roberto/Erasmo Carlos). Ela exagerou na interpretação de tintas fortíssimas que a fizeram parecer uma destrambelhada no palco. Mesmo assim, valeu a pena. De tão assustado, o público ovacionou no fim. Afinal, quem não arrisca não petisca.

Marina Lima surgiu de guitarra vermelha para cantar “Como Dois e Dois” (Caetano Veloso). Para quem a esperava vê-la sem voz, como tem andando nos últimos tempos, ela até que cantou muito bem. Depois, Sandy surgiu afinada, apesar da voz treme-treme, para fazer “As Canções Que Você Fez pra Mim” (Roberto/Erasmo Carlos), sob uma luz etérea. Bonitinha.

Mart’nália transformou tudo em sambão, ao cantar “Só Você Não Sabe” (Roberto/Erasmo Carlos). Também trouxe para frente os backings, que sambaram junto. A filha de Martinho mostrou segurança e irreverência que só quem é da Zona Norte é capaz de ter, a não ser que seja Cazuza.

Adriana Calcanhotto teve que enfrentar uma leve microfonia ao entrar, mas aguardou sereníssima, até que pudesse se sentar em seu banquinho, empunhar seu vilão e ser a única a esnobar a orquestra. Cantou “Do Fundo do Meu Coração” (Roberto/Erasmo Carlos).

Claudia Leitte surgiu logo após, um pouco insegura. Dava para ver que não ela não era dona do espaço e que o coração batia forte. Foi esperta e cantou “Falando Sério” (Maurício Duboc e Carlos Colla) mais contida, ainda não acostumada a um palco que a deixe tão presa. E tão solene.

Nana Caymmi chegou ao centro do palco auxiliada por um produtor. Mesmo com a saúde e voz debilitada, mostrou de quem é filha ao cantar “Não Se Esqueça de Mim” (Roberto/Erasmo Carlos). O sangue falou mais alto e ela parecia muito feliz. Mesmo. Ana Carolina veio de “Força Estranha” (Caetano Veloso). Encarou o público olho nos olhos o tempo todo, como faz em seus shows que alegram a mulherada, e abriu a tal voz tamanha.

Quando Ivete Sangalo surgiu, para cantar “Os Seus Botões” (Roberto/Erasmo Carlos) e “Olha” (Roberto/Erasmo Carlos), a plateia foi ao delírio, o que deixou bem claro quem das 20 era a mais popular, com todo o significado comercial que isso implica. Entre as duas músicas que fez, quebrou o protocolo estabelecido pela diretora do show, Monique Gardenberg, e falou com a plateia. “Estou bonita?”, perguntou, com sua modéstia habitual. Exibiu a barriga de cinco meses. Pediu aplauso à banda. Declarou amor ao Rei. E, tagarela que só, coube a ela chamá-lo.

De azul, Roberto surgiu e todos se levantaram, em reverência. Sozinho, cantou a tão previsível e sempre emocionante “Emoções” (Roberto/Erasmo Carlos). Afinal, são 50 anos de carreira, né? Todo mundo cantou em uníssono. Depois, o Rei convocou as 20 divas para, com ele, cantarem “Como É Grande O Meu Amor por Você” (Roberto/Erasmo Carlos). Sem dúvida, o momento de maior emoção do show. O gol de final de Copa do Mundo, para usar as metáforas futebolísticas tão apreciadas por nosso presidente.
Foi lindo ver as estrelas disputando a atenção do Rei, cantando cada qual um versinho para ele. Hebe ficou com ciúmes da mão-boba de Roberto nas costas de Luiza Possi. Nana Caymmi quase voava. Claudia Leitte deu beijinhos e carinhos sem ter fim no Rei. Wanderléa sorria com a verdade de seu passado.

A cortina fechou e tudo ainda parecia sonho. Mas logo abriu para o bis generoso: “É Preciso Saber Viver” (Roberto/Erasmo Carlos). Mas logo tudo acabou. E eu fiquei ali sentado, com gostinho de quero mais.

Ps. Quem não teve o privilégio de ver as duas horas de show ao vivo poderá vê-lo em versão editada com 70 minutos, neste domingo, após o “Fantástico”, na TV Globo.



*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e é fã de Roberto Carlos desde o ano passado, quando assistiu a um show do Rei pela primeira vez. Se quiser saber como foi esse outro momento, clique aqui.

Fotos: Marcos Hermes/Divulgação

Reality no campo

Por Miguel Arcanjo Prado

A grande aposta da Record para 2009 estreia no próximo domingo, às 20h30: o reality show "A Fazenda", apresentado pelo jornalista Britto Jr. Com 215 pessoas na equipe de produção, a atração teve investimento de cerca de R$ 20 milhões e será exibida diariamente em horário nobre, por 11 semanas: de segunda a sábado, após a novela "Poder Paralelo", e aos domingos, quando terá como concorrente o "Fantástico" (Globo), após o "Domingo Espetacular", com o resumo do dia das 14 pessoas confinadas.

Os participantes --cujos nomes a Record não revela-- ficarão em uma fazenda de 150 mil m2 em Itu (SP). Trinta e seis câmeras estarão ligadas durante 24 horas por dia. Todos dormirão juntos, já que haverá apenas um quarto. Os participantes do reality só serão confinados no domingo.

Ao contrário do ócio que prevalece no manjado "Big Brother Brasil" (Globo), em "A Fazenda" os participantes terão atividades diárias a serem cumpridas. A propriedade tem árvores frutíferas como laranjeira, limoeiro e jabuticabeira, além de uma horta que deverá ser cultivada. "Eles terão de colher a verdura que quiserem comer", adianta o diretor do programa, Rodrigo Carelli.

Os bichos prometem dar trabalho: "Tem galinheiro, uma vaca, três éguas lindas, ovelhas e um burro", conta. Diariamente, haverá seis tarefas diárias. Elas serão delegadas pelo 'Fazendeiro', espécie de líder semanal que deverá orientar e cobrar as seis pessoas que ele escolher para trabalhar.

Quem fizer corpo mole terá de se ver com o grupo. "Todos serão penalizados com a perda de determinados confortos", adianta Carelli, que não revela o critério de escolha do líder por não querer que os participantes tenham a informação ao entrar no programa.

O diretor descarta a existência de uma figura que desempenhe papel semelhante ao do anjo do "BBB", ou seja, o de imunizar colegas. Sem a ajuda dos amigos na hora da eliminação, os participantes poderão contar com três profissionais: um zootecnista, um agrônomo e um caseiro. "Eles vão ensiná-los a lidar com bichos e plantas", conta Carelli.

"Tá na Roça"

O mau desempenho nas tarefas poderá levar ao "Tá na Roça", uma lista semanal de três nomes que poderão ser eliminados pelo público.

"Toda semana, três pessoas serão indicadas ao 'Tá na Roça'. Duas delas por outros participantes, e a terceira será a que teve o pior desempenho na prova semanal. O público elegerá quem será eliminado", afirma o apresentador da atração, Britto Jr. Será possível votar pelo telefone e pela internet. Ao fim da 11ª semana, os telespectadores, em vez de eliminar, escolhem o vencedor, que ganhará R$ 1 milhão. "Na quarta e no domingo, teremos programas especiais, ao vivo. Um com a indicação para o 'Tá na Roça' e outro com a eliminação, mas ainda não definimos qual dia será para cada um", diz o diretor.

O formato do reality, inédito no Brasil, já foi produzido com sucesso por emissoras de 40 países. Internacionalmente, o programa é conhecido por "The Farm". Até o momento, a Record optou por não exibir o conteúdo completo de "A Fazenda" em sistema de "pay-per-view", mas planeja a transmissão pela internet de cenas não veiculadas na TV. A atriz e apresentadora Chris Couto --ex Globo e MTV-- foi contratada para fazer chamadas do programa que já estão no ar. "Após a estreia, vou repercutir nas ruas e com as famílias. 'A Fazenda' já está dando o que falar", diz.

Frente a frente

A interação entre apresentador e confinados será constante, e eles ficarão próximos em alguns momentos. "Vai haver um campo de provas onde vou ficar frente a frente com eles. Mas vou comandar esse 'game' sem nenhuma intimidade. Isso tudo vai acontecer ao vivo", revela Britto Jr. "O Britto poderá fazer contato para levar informações aos participantes", confirma Carelli. A comunicação não será feita como no "BBB", por meio da tradicional TV na sala.

Para evitar penetras na propriedade, a segurança no local foi reforçada. "Todo santo dia, o segurança olha na minha cara e liga para saber se eu estou autorizado", afirma o diretor. Tantos segredos na estratégia de divulgação de "A Fazenda" lembram, e muito, o lançamento de "Casa dos Artistas" (SBT), em 2001, dirigida pelo mesmo Rodrigo Carelli. Agora, só o tempo dirá se o sucesso será o mesmo da atração de Silvio Santos.


Britto Jr. comemora o momento

Britto Jr., que completa quatro anos como apresentador da Record em agosto, diz estar satisfeito com o comando do reality show "A Fazenda". "Este é o momento mais importante da minha carreira. Sempre mostrei para a Record que estava aberto a novos projetos. Jornalismo não é a única coisa que eu sei fazer", afirma.

Da Globo, onde trabalhou por 23 anos como repórter, demonstra não sentir saudade. "Na Globo, ter um espaço como esse seria improvável. Lá, o repórter só presta serviço para o jornalismo. Ninguém olha para ele com interesse de prestar atenção a seu talento", alfineta. "A Record teve a sensibilidade de perceber minhas habilidades", diz. O apresentador afirma que ficará "semiconfinado" durante a temporada à frente do programa. "A qualquer momento, terei de ir para Itu, já que o estúdio de onde vou apresentar fica lá."

Apesar do segredo que a emissora faz sobre quem serão os participantes, Britto Jr. diz que a escolha deles se baseou em perfis pré-definidos. "Tem o cara que é intelectual, tem o aventureiro e corajoso, tem a bonitona e o bonitão. São pessoas com personalidades bem diferentes."

Conflitos

Ele diz acreditar que os conflitos serão fator primordial para o sucesso do programa. "É humanamente impossível reunir 14 pessoas com perfis diferentes e conflitos não existirem. Lá dentro não terá TV, jornal, revista, internet, nem sequer relógio. Eles terão de se ajudar. Acho que viverão conflitos do tipo: 'Eu ajudo ou não ajudo?' E o fato de não ajudar poderá gerar inimizade e antipatia. Esse será o grande barato do programa: como os famosos vão lidar com esse comportamento. É um programa psicológico."

Outro fator de estresse serão as tarefas diárias: "Os participantes não têm afinidades com as coisas do campo", diz. Para dar conta da "diversidade psicológica" dos confinados, Britto estuda os perfis dos 14 eleitos. "Tenho assistido a vídeos, já que são pessoas que aparecem na TV, que cantam, dançam ou atuam. Se bem que é uma incógnita o comportamento real deles na fazenda", diz o apresentador. "Tenho certeza de que será sucesso. O brasileiro já demonstrou que gosta de realities. E não só o brasileiro. O mundo gosta."

Novo visual

Para incorporar o espírito fazendeiro, Britto repaginou o guarda-roupa. Sai de cena a elegância do blazer usado no matutino "Hoje em Dia" --ele já está sendo substituído pelo jornalista Celso Zucatelli, que fica até o final do reality-- para dar lugar às camisas xadrez, mais sintonizadas com o mundo rural. "Outro dia estive dando uma pernada no shopping e percebi que a moda agora é camisa xadrez. Coincidência boa essa, não?"

SBT e Globo planejam atrações

Diante do investimento da Record em "A Fazenda", Globo e SBT preparam reações. A Globo estreia o reality "Jogo Duro" em 7 de junho, um domingo, logo após o "Fantástico". Ao todo, serão oito episódios com oito participantes cada um. Eles serão submetidos a uma maratona de provas.

As gravações acontecerão na Central Globo de Produção, no Rio. Todos os participantes já foram escolhidos pelo diretor, José Bonifácio Brasil de Oliveira, o Boninho _o mesmo de "Big Brother Brasil". O ator Paulo Vilhena vai apresentar a atração.

Já o SBT prepara um reality que terá confinamento para o segundo semestre, ainda sem nome definido. O programa não terá apresentador. A emissora não dá mais detalhes do projeto, alegando "questões estratégicas".

Publicado no Agora, em 28/5/2009. Fotos: Edu Moraes/Record/Divulgação.

terça-feira, 26 de maio de 2009

De volta ao Ídolos

Por Miguel Arcanjo Prado

Uma sensação de déjà vu tomou conta de Rafael Bernardo, 22 anos, ao chegar ao Sambódromo do Anhembi. A convite do Agora, o cantor, que ficou em segundo lugar na edição de 2008 do "Ídolos" (Record), acompanhou na última quinta-feira a audição geral paulistana para a segunda temporada do reality, prevista para estrear em agosto. "Dá vontade de participar de novo", disse, nostálgico, quando viu a fila, com cerca de 2.000 pessoas.

"No dia da minha audição, tive prova na faculdade de jornalismo. Saí correndo e cheguei no meio da manhã. Fiquei quatro horas na fila", recorda. "Pra Rua me Levar", sucesso de Ana Carolina, foi seu passaporte para entrar no programa. Após a final do reality, quando perdeu para Rafael Barreto, ele diz ter sentido "um vazio": "Resolvi voltar à Bahia [ele é de Vitória da Conquista]. Voltar para o que era de verdade". Baterias recarregadas no colo dos pais, voltou a São Paulo para tentar os primeiros passos na carreira.

Ao avistarem Bernardo, os candidatos tiveram faniquitos. Câmeras e celulares logo foram sacados. Baiana de Jequié, Samille Nonato, 20 anos, pediu foto. "Sempre torci pelo Bernardo, por ser talentoso e meu conterrâneo", disse. O apresentador Rodrigo Faro também chegou perto para saber novidades do cantor. "Já passei por isso, tem de batalhar, divulgar seu trabalho", aconselhou ele ao jovem.

Questionado pela reportagem se o reality não vende apenas ilusões, Faro rebateu: "Todos os finalistas se deram bem. O Rafael Bernardo e o Rafael Barreto estão gravando seus discos. Outros cinco estão lançando um disco conjunto [leia mais acima], e a Lorena Chaves [sexta colocada] conseguiu emplacar uma música na novela das seis da Globo ['Paraíso']. Sinceramente, não acredito que isso seja ilusão".

Diretor do programa desde os tempos em que ainda ia ao ar no SBT, Wanderley Villa Nova fez coro com Faro. Ele ainda contou que a próxima edição será mais dinâmica e terá maior participação do apresentador. "Já vendemos nossas cotas comerciais, o que mostra que o mercado e o público acreditam no produto", disse.

Acreditando na chance, jovens aspirantes ao sucesso --efêmero ou não-- enfrentaram frio na madrugada e sol quente na manhã para serem ouvidos. Alguns são exemplo de insistência, como a catarinense Jeyce Galdino, 21 anos, de Balneário Camburiú. Rejeitada pelos jurados em Curitiba --onde cantou uma música de Wanessa Camargo--, não titubeou em pegar um ônibus e tentar novamente em São Paulo. E se levasse outro sonoro "não"? "Se não passar agora, no ano que vem tento de novo. Se eu desistir, quem é que vai me dar oportunidade?".

O mesmo discurso tem o paulista Guilherme Scalada, 20 anos, de Cândido Mota. "Quero ser cantor. Vim com o apoio dos meus pais e amigos. Cheguei aqui às 22h30 e estou sem dormir. Mas a gente nunca sabe o futuro, né?", apostava o fã do Los Hermanos. Scalada e Jeyce ficaram amigos a ponto de ele dar a ela seus óculos escuros.

Se o futuro desses candidatos ainda é incerto, o de Rafael Bernardo, pelo menos, começa a clarear à sua frente. Apadrinhado pelo jurado Luiz Calainho, ele planeja entrar em estúdio no mês de julho para gravar o seu primeiro disco. "É um sonho que está se realizando", comemora o cantor.

Publicado em 25/5/2009 no "Agora São Paulo". Fotos: Edu Moraes/Record/Divulgação. 1 - Rafael Bernardo vira estrela na multidão; 2 - Rodrigo Faro conversa com Rafael Bernardo; 3 - Jeyce e Guilherme fizeram amizade na fila.

domingo, 24 de maio de 2009

Furo da semana

Hoje, de folga em Belo Horizonte, vi na Record chamadas para "A Fazenda" com a data de estreia no domingo (31). A informação foi antecipada por este vosso blogueiro na coluna Zapping da última sexta. Ontem, repeti a informação no texto feito após falar com Britto Jr., apresentador da atração (abaixo).

Britto entrará na fazenda

Por Miguel Arcanjo Prado

Ao contrário dos participantes do "Big Brother Brasil" (Globo), que só se encontram pessoalmente com Pedro Bial quando saem da casa, os confinados de "A Fazenda" (Record) ficarão bem perto do apresentador Britto Jr. "Eu vou me encontrar com eles, ficar frente a frente, quando for comandar as provas. Mas não haverá nenhuma intimidade. Isso vai acontecer ao vivo", antecipou ao Agora. Ontem, Britto foi para Itu, onde fica a propriedade de 150 mil metros quadrados que abrigará o programa, para fazer os primeiros testes de some câmera. As 14 celebridades que disputarão o prêmio de R$ 1 milhão serão vigiadas por 36 câmeras. Como as obras na casa atrasaram, a estreia deve ser apenas em 31 demaio.

Publicado no Agora São Paulo, em 23/05/2009. Foto: Edu Moraes/Record.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Teatro em São Paulo

FERNANDA SOZINHA NO PALCO
Por Miguel Arcanjo Prado

Fernanda Montenegro estreia hoje, com ingressos esgotados, "Viver sem Tempos Mortos", monólogo no qual mergulha na vida e na obra da pensadora francesa Simone de Beauvoir (1908-1986). "Tinha 19 anos quando li 'O Segundo Sexo' [obra de 1949, que foi adotada pelas feministas]. Foi um achado que organizou minha cabeça. Ela coordenou o sistema de se ver o feminino. Hoje não parece nada, mas em fins dos anos 40 era um petardo de bomba atômica", recorda.

O diretor, Felipe Hirsch, lembra a gestação da montagem: "Queríamos um livro de cabeceira dela. Fernanda falou em Simone e Clarice [Lispector], que será a próxima". Daniela Thomas criou um cenário mínimo. "A intenção foi deixar o rosto e os braços da Fernanda em evidência. Ficou só a cadeira", diz. "Queria a atenção do público na palavra", completa o diretor.

Para Fernanda, as contradições de Simone a tornam emblemática. "Ela era um vulcão dionisíaco apesar da aparência de moça bem-comportada. Imagine dizer para um homem: 'Eu quero ser a partir de agora sua esposa árabe'? Ela falou isso. Acho que, na hora H, a gente quer ser uma esposa árabe do nosso homem. Ter tido contato com a Simone no extremo da mocidade e, agora, no extremo da velhice só me faz dizer 'Graças a Deus!', embora ela fosse ateia", finaliza. Sobre uma esticada da temporada, o diretor dá esperança: "Dependemos de agenda. Por mim, prorrogava."

Quinta e sexta, às 21h; sábado, às 20h; domingo, às 18h. No teatro Anchieta do Sesc Consolação(r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, tel. 0/xx/11 3234-3000). R$ 30 (ingressos esgotados). 16 anos. Até 28/6. Debate sobre Simone de Beauvoir (com presença de Fernanda Montenegro) e exibição do documentário "Uma Mulher Atual". Toda quarta-feira, às 19h (retirada de ingresso). Até 24/6. Grátis. 16 anos.

UM ATOR APAIXONADO PELO PALCO
Por Miguel Arcanjo Prado


Sentado diante de uma mesa, em um palco praticamente nu de truques cenográficos, Elias Andreato descortina um texto poético sobre o fazer teatral na peça "Doido". Nitidamente apaixonado por sua arte, mostra domínio ao representar e faz com que o público ria e se comova diante de observações simples e, ao mesmo tempo, profundas.

Autor do texto --que tem referências que vão de Vinicius de Moraes a Fernando Pessoa--, Andreato também se dirige, com a experiência de mais de 50 peças no currículo de 30 anos. No final do monólogo, transforma uma boneca Barbie em seu alter ego e expõe suas lamúrias, arrancando lágrimas do público.

Domingo, às 14h30. No teatro Eva Herz - livraria Cultura (av. Paulista, 2.073, tel. 0/xx/11 3170-4059). R$ 30. 14 anos. Até 28/6.

Publicado no Agora São Paulo, 22/5/2009. Fotos: Guga Melgar e Selma Morente/Divulgação.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

SBT de volta à briga

Por Miguel Arcanjo Prado

A briga pelo segundo lugar no Ibope da Grande São Paulo está esquentando. No ano passado, a Record ultrapassou o SBT na média geral das 24 horas do dia, fechando com 6,6 pontos contra 5,4 da concorrente. A emissora de Edir Macedo ainda está em segundo lugar, mas ele é cada vez menos confortável.

O incômodo vem do "crescimento formiguinha" do SBT, que tem diminuído, mês a mês, a diferença entre as duas emissoras. Em maio, até o dia 17, o canal de Silvio Santos está apenas 0,3 ponto percentual atrás da Record. A segunda colocada caiu 0,4 ponto desde janeiro, o mesmo que ganhou o SBT.

A reação do SBT é fruto da atual estratégia de Silvio Santos de voltar a dar força aos apresentadores que se aproximam de seu público original: as classes mais populares. A emissora faz isso sem deixar de seguir a tendência dos realities.

Desde o começo do ano, o SBT, de modo geral, tenta tornar sua programação estável. A ideia é deixar para trás a frequente mudança de horários que o fez perder telespectadores nos últimos anos. "O SBT perdeu muito de seu público cativo por conta da instabilidade. Isso virou até senso comum", diz Claudino Mayer, especialista em televisão.

A volta às origens fez reaparecer velhos conhecidos do público, como Ratinho, Christina Rocha e Netinho de Paula. "O SBT tem vantagem em relação à Record por possuir essas figuras, que estão na memória do brasileiro e com as quais ele tem velha relação afetiva. São nomes que têm credibilidade com certa parcela da população", diz Mayer.

No ar desde o último dia 4, "Programa do Ratinho" e "Casos de Família" conseguiram dobrar a audiência nas tardes de segunda a sexta, com média de 6 pontos cada um, ambos em segundo --Ratinho empata com a Record. Netinho também alavancou o Ibope nas tardes de sábado. Na estreia, no último dia 9, marcou 7 pontos, empatando com a Record. No segundo programa, ganhou de 7 a 6.

Forte aposta, os realities também estão na briga. "Supernanny" supera o canal de Edir Macedo, e "Esquadrão da Moda" empata. O infantil "Bom Dia & Cia" briga até com a líder, Globo, assim como o "Sábado Animado", de Maisa. A programação dominical também está ajudando. O "Domingo Legal", de Gugu Liberato, que chegou a ficar em terceiro em janeiro e fevereiro, recuperou a audiência e está em segundo lugar isolado. "Ao contrário da Record, o SBT sabe que seu forte não são as telenovelas, mas programas de apelo social e com apresentadores com forte identificação com o povo. Se conseguir manter programação fixa, tem todas as condições de voltar a ser o segundo", avalia Mayer.

Por meio de nota, o canal de Silvio Santos se diz satisfeito com esses resultados: "Eles se devem a uma variedade na programação que agrada ao telespectador, que pediu a volta de Ratinho, Netinho e Christina Rocha".

Record mantém segundo lugar

Procurada pela reportagem, a Record não comentou o crescimento da audiência do SBT nos últimos meses. Apesar da subida no Ibope da emissora de Silvio Santos, o canal de Edir Macedo permanece como segundo colocado nas 24 horas do dia neste ano.

A média geral de 1º de janeiro a 17 de maio de 2009 mostra a Globo em primeiro, com 14,2 pontos; a Record em segundo, com 6 pontos; e o SBT em terceiro, com 4,9 pontos. A Record tomou o segundo lugar do SBT no pódio televisivo em 2007, quando fechou com 6 pontos contra 5 do SBT.

Em 2008, a Record conquistou mais 1 ponto na média anual, fechando com 7 pontos contra 5 do SBT. A Globo, em primeiro, caiu de 15 pontos em 2007 para 14 em 2008.

Publicado no Agora São Paulo, 21/5/2009. Fotos: Roberto Nemanis/SBT

terça-feira, 19 de maio de 2009

Show do adeus no SBT

Por Miguel Arcanjo Prado

A dupla Edson & Hudson será atração da 11ª edição do programa musical "Uma Hora de Sucesso" (SBT), programada para ir ao ar no dia 6 de junho. A reportagem acompanhou a gravação, na última sexta-feira. O musical registra para a TV o show da última turnê dos irmãos, já que a separação tem data marcada: 31 de dezembro de 2009.

A ideia de participar foi da própria dupla. "Ligamos para o Magrão [o diretor Roberto Manzoni]. Quisemos nos despedir aqui, porque é um programa que mostra o artista como ele é. Vamos mostrar nosso show ao vivo na TV. É gratificante fazer esse show aqui nesse momento de separação", afirma Edson.

O diretor concorda com o caráter histórico da edição. "É importante ter registrado esse momento, essa turnê. É um registro que vai ficar para a história da música e da TV. E, se eles quiserem voltar sozinhos depois, as portas continuarão abertas aos dois", diz Magrão.

Brigas

Para Edson, a separação se dá por "incompatibilidade musical". Ele quer continuar com a pegada sertaneja, enquanto o irmão sonha em fazer do pop rock seu ganha-pão. "Lógico que, como somos irmãos, já brigamos várias vezes, mas o lance da separação é dar oportunidade para cada um fazer o que gosta", diz Edson.

"O que rola, na verdade, é um desgaste. Após quase 30 anos juntos, tem uma hora em que a relação fica complicada. Teve um momento em que os empresários e eu não estávamos mais batendo as mesmas ideias e, automaticamente, o Edson também não. Estava meio três contra um. Na última reunião, resolvemos que era melhor acabar, porque a coisa não estava bem, e isso estava transparecendo para as pessoas. Mas vimos que não seria legal deixar compromissos abertos, mesmo que já estivéssemos praticamente separados", afirma Hudson, dizendo fazer os últimos shows com boa vontade. "Quero mostrar o meu melhor." O irmão faz coro: "Não é aquela coisa: separou a dupla e o fã que se lasque".

Música com Pelé

Para começar com pé direito, Edson vai contar com ajuda de amigos. Ele conta que Ivete Sangalo é participação certa no disco solo, que terá até parceria com o rei do futebol. "Estou gravando uma música que compus com Pelé e meu parceiro Flavinho, que será tema da Copa de 2010: 'Sou Brasileiro'. É uma mistura muito louca de samba-enredo, sertanejo e country. O Pelé já colocou a voz. Tem tudo para ser sucesso." Hudson também adianta os primeiros passos do que será sua nova música. "Virei de country com a pegada roqueira de Aerosmith e Bon Jovi que sempre tive e pela qual sofri preconceito, porque não havia um roqueiro sertanejo. Hoje, sou respeitado. Quero fazer uma música que os fãs de Edson & Hudson gostem, mas que atinja novos públicos também.

A separação no auge do sucesso traz aos dois um sentimento de desafio. "Se vai dar certo, só o futuro poderá dizer", diz Hudson. "Acho que é arriscado, sim. Mas nunca tive medo de desafio. Já passamos por tanta coisa na nossa vida! Estou bem preparado", acrescenta Edson, que não descarta uma reaproximação com o irmão. "O dia de amanhã a gente não sabe... Quem sabe daqui a alguns anos vem o recomeço?"

Publicado em 19/5/2009, no "Agora São Paulo". Foto: Roberto Nemanis/SBT

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fernando & Sorocaba

Por Miguel Arcanjo Prado

Eles são jovens, tocam em shows lotados e se tornaram nomes fortes da nova música sertaneja. Formada há apenas três anos, a dupla Fernando e Sorocaba chega ao terceiro disco, “Vendaval”, fazendo apresentação para 10 mil pessoas.

Fernando, 25 anos, que nasceu em Rondônia, começou a tocar violão aos sete anos, no sítio em que a família plantava café. Aos 15, sentiu-se maduro para se aventurar na estrada. Passou dificuldades. Primeiro, em Cuiabá. Depois, em Ituiutaba (MG). “Não tinha dinheiro nem para o ônibus”, lembra. Nos barzinhos, aprendeu a unir Jota Quest à paixão sertaneja. Sem saber, entrava em uma leva de renovação do estilo.

Sorocaba _que também se chama Fernando, mas adotou o apelido que homenageia a cidade onde cresceu_ foi criado entre cavalos no sítio do avô. Em 2005, formou-se em agronomia, em Londrina. Em meio aos estudos, recuperou o violão da adolescência. A música cresceu até o ponto em que cruzou com Fernando, em Minas. Os dois foram para Londrina, onde começaram a cantar juntos. “Em alguns pontos, parecemos até marido e mulher [risos]. Tenho o lado de compor. Fernando é arranjador”, brinca Sorocaba.

Os dois cantam apenas músicas próprias. “Isso ajuda a criar um estilo”, afirma Sorocaba, que toca violino, gaita e violão. “Bala de Prata”, cujo disco homônimo vendeu quase 50 mil cópias, foi o primeiro hit. A nova, “Paga Pau”, tem clipe com mais de 1 milhão de acessos no YouTube, em um mês.

No show há fogos de artifício, telões em alta definição, painel de luzes e até uma boate. O ponto alto é uma grua, na qual ficam bem perto do público. A solteirice declarada de ambos encoraja as fãs. “Teve uma que caminhou 35 km para ir ao nosso show”, lembra Sorocaba. “São elas que fazem o trabalho de formiguinha.”

Ele fala de gente como Juliana Craveiro, 22 anos. “Antes, não curtia sertanejo. Fui ver um show deles e foi amor à primeira vista”, conta. Amor, sobretudo, por Fernando, de quem ganhou um brinco antes de começar o show na 18ª Festa do Peão de Boiadeiro de Cajamar, no domingo passado.

“A gente vê o sucesso acontecendo e não acredita”, diz Fernando, enquanto Sorocaba comemora o convite para tocar no “Programa Raul Gil”. “Se Deus quiser, o Faustão ainda chama a gente também”, brinca. Apesar do sucesso _hoje eles têm até um avião_, a carreira foi ameaçada em julho de 2008, quando Sorocaba descobriu um câncer na tireoide. “Estava muito perto das cordas vocais. Tive que fazer cirurgia às pressas. Fiquei quase 20 dias rouco. Graças a Deus, foi tudo embora.”

Publicado em 17/5/2009 na "Revista da Hora" do jornal "Agora São Paulo".

domingo, 17 de maio de 2009

Coluna do Miguel Arcanjo nº 156

"No hay monedas"

Por Miguel Arcanjo Prado*

Não há moedas. Esta é a frase mais recorrente em estabelecimentos comerciais de Buenos Aires. Não apenas na capital, como por toda a Argentina, elas são artigo de luxo. Balançá-las no bolso ou, atrevimento maior, mostrá-las em público, logo atiça olhares de cobiça. Na Argentina de hoje, quem tem moeda é rei. E quem paga com moeda vira herói. Por pouco, os comerciantes não beijam o cliente tão desprendido de valores materiais.

Moedas são fundamentais no cotiano portenho. Para pagar os coletivos, como são chamados os ônibus de Buenos Aires, é preciso tê-las. Para telefonar usando um orelhão também. Acho que, por isso, os locutórios --casas com telefones de aluguel onde se pode pagar com nota, se o valor da ligação ficar acima de um peso-- são sucesso.

Ponto de ônibus é lugar onde se pode ver o sofrimento de quem descobre, na fila, que não tem moeda suficiente para o embarque. Porque não adianta reclamar: notas não são aceitas para o pagamento de passagens. Para não ficar a pé é preciso se virar.

Quem lucra com o desespero é o velho mercado negro. Há quem receba dez pesos em nota e devolva apenas oito em moedas. E muitos argentinos acham isso vantajoso, já que não dá para viver sem elas. No banco, apesar da lei que obriga as agências a trocarem até 20 pesos em moedas, consegui-las é praticamente impossível. Assim como o comércio, eles juram que não têm.

Eu mesmo só consegui trocar 10 pesos na agência do Banco do Brasil da Sarmiento, no centro de Buenos Aires. Isso porque sou cliente do banco e, claro, estrangeiro, já que, como aqui, eles valem muito lá também. Depois, com meus dez pesos em moedinhas, tornei-me quase um General San Martín, digno de contar a proeza em praça pública. Os argentinos que ouviram minha façanha contaram, decepcionados, que nunca conseguiram trocar mais do que cinco pesos por moedas nos bancos locais. E isso depois de insistirem muito.

O Banco Central da República Argentina garante que há mais de cinco bilhões de moedas em circulação no país. O que daria mais de 130 para cada um. O problema é que ninguém acredita nisso. Há quem diga que a maioria possa ter caído nos bueiros da cidade. Outra turma pensa que boa parte pode ter sido derretida, por conta do valor do metal. Um gerente de banco chegou a afirmar ao jornal "O Clarín" que a culpa é dos turistas estrangeiros, que levam as moedinhas argentinas para seus países como suvenir. Tem cabimento?

Os supermercados, que não aguentam mais pagar caro por moedas para dar troco aos clientes, querem implementar, já no próximo mês, um cartão no qual o troco miúdo será convertido em bônus para as próximas compras. Há quem ache um abuso, mas diante do caos a iniciativa é compreensível assim como é de se espantar que os ônibus da capital argentina não trabalhem com bilhete eletrônico.

Mas como lá também existe lei do consumidor, mesmo com o tal cartão nos supermercados, quem quiser ter moedinhas de troco permanece com o direito. Até porque ir com uma nota de dois pesos --a de menor valor-- e comprar algo de 50 centavos, para ter o restante em moedas, é um truque frequente de nossos hermanos, que, de bobos, não têm nada.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e, recentemente, passou 20 dias em Buenos Aires, nos quais jamais ficou sem as valiosas "monedas".

Fotos: Divulgação e Thomas Locke Hobbs

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Gil Banda Larga Cordel

Na noite desta quarta, 13 de maio, foi dia de ir ao show de Gilberto Gil, "Banda Larga Cordel", no HSBC Brasil, pelo projeto Sons da Nova, promovido pela rádio Nova Brasil FM, que costumo ouvir aqui em Sampa.

Na porta da casa de shows (o antigo Tom Brasil), a presença da assessora de imprensa Gilda Matoso dá logo a certeza de estarmos em terra de Gil. Logo ele surge, daquele jeito simples e cativante que só ele tem no palco, para cantar sucessos da nova fase, como "Os Pais" e "Não Grude Não" e músicas que já viraram história, como "A Paz", "Tempo Rei", "Toda Menina Baiana" e "A Novidade".

O baiano foi acompando pela banda formada por Arthur Maia no baixo, Alex Fonseca na bateria, Bem Gil na guitarra, Claudio Andrade nos teclados, Sergio Chiavazzolli nas guitarras e o bom demais da conta Gustavo de Dalva na percussão. Todos no mesmo clima zen do cantor.

A plateia, paulistana, como sempre foi educada por demais e só ensaiou levantar-se das cadeiras no finzinho do show. Preferi assistir em pé, no cantinho, e dancei o quanto pude. E, ouvindo Gil, mesmo com sua voz mais rouca, mas sempre tenra e profunda, pensei na importância da música para mim e em como ela tem ficado de lado. Acho que ela precisa, novamente, ocupar algum lugar nisso tudo. E pensei também em vovó Oneida, que tanto amava esse neguinho que eu vi cantar no palco.

Foto: Crocas/Divulgação - Gilberto Gil nos bastidores do show no HSBC Brasil - 13/5/2009.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ana Paula na bancada

Miguel Arcanjo Prado
do Agora

Apesar de não ter conseguido decidir se pinta ou não o cabelo, por conta dos fios brancos que teimam em aparecer, a jornalista Ana Paula Padrão, 43 anos, não titubeou para tomar outra decisão bem mais importante. Depois de dizer que não queria mais apresentar telejornal, não resistiu à proposta da Record --cujo valor não revela-- e assina hoje um contrato de quatro anos.

"Achava que minha fase de apresentadora havia acabado, porque gosto de rua, de fazer reportagens com tempo. Tenho 24 anos de jornalismo, dos quais só sete foram na bancada. Mas a Record me ofereceu apresentação e reportagem. Não vou ter a obrigação de fechar o jornal. Também poderei ir para a rua.

A jornalista, que ficou conhecida ao editar e apresentar o "Jornal da Globo" por cinco anos --ela trabalhou na emissora de 1987 a 2005, antes de ir para o SBT, onde ficou até o fim de abril--, voltará ao ar ao lado de outro ex-global, Celso Freitas, no "Jornal da Record".

Adriana Araújo sai de cena e assume o cargo de correspondente em Nova York. Ana Paula descarta mal-estar com a colega. "Adriana é uma graça. Trabalhamos juntas na Globo. É um grande talento. Uma preocupação era ter a certeza de que não causaria a infelicidade de ninguém. A Adriana queria ter essa experiência como correspondente internacional", diz Ana Paula, que também viajará. Ela apresentará o telejornal direto de Londres, na Olimpíada de 2012. Também irá para Guadalajara, no Pan de 2011, e para Vancouver, nos Jogos de Inverno de 2010.

Formada em jornalismo na Universidade de Brasília, a jornalista diz que jamais pensou que conquistaria o posto de estrela do jornalismo, com um salário cogitado em torno de R$ 300 mil. "Sou da geração que começou pelo lado romântico e não pelo financeiro. Quando estudava, achava que a TV era um veículo menor. Nunca pensei ser apresentadora, mas sonhava ser correspondente internacional.

A negociação com a Record se intensificou no começo deste ano, como o Agora publicou em janeiro. O SBT chegou a sinalizar um novo telejornal para Ana Paula, que não o quis. "Não houve negociação oficial, apenas recados de que a bancada seria uma alternativa. Mas só a apresentação não me interessava. Vou ter uma boa lembrança do SBT. Apenas acabou." Ela recorda o último encontro com o ex-patrão, Silvio Santos. "Foi há uns 20 dias. Ele falou muito dos projetos dele, e eu, dos meus. Eu disse: 'Olha, Silvio, eu estou indo cuidar da minha vida'. Nos abraçamos e nos desejamos boa sorte.

Felicidade

Quando deixou a Globo para ir para o SBT, Ana Paula declarou que o fazia também para poder ter mais tempo ao lado do marido, o economista Walter Mundell. Ela afirma que a volta ao jornalismo diário não prejudicará o relacionamento. "Foi o Walter quem me disse para não virar as costas para o mercado." Por falar em mercado, Ana Paula diz não pensar no concorrente da Globo, o "Jornal Nacional", que já apresentou e com o qual disputará audiência. "Não estou na fase da vida de estar loucamente preocupada com a concorrência. Acho justo que uma emissora queira crescer. Meu projeto é ser feliz."

E, para viver sem frustrações, ela deixou de lado um antigo sonho: ser mãe. "Parei de tentar, de fazer tratamento. Cheguei a sofrer um aborto, uma coisa psicologicamente muito dura. Walter e eu estávamos criando um ponto permanente de infelicidade. Eu não posso querer tudo. Tenho muito mais do que imaginei que teria. Há coisas que a gente não pode ter. Talvez essa seja a minha dor. Paciência."

Publicado em 11/5/2009. Foto: Antonio Chahestian/Record/Divulgação.