sábado, 21 de novembro de 2009

Enquanto outros sites dormiam, um furo do R7



R7 - 6h28
Morre o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta


Estadão - 6h45

Morre em São Paulo o ex-prefeito Celso Pitta

G1 - 7h22
Morre o ex-prefeito de SP Celso Pitta

UOL e Folha Online - 7h28
Ex-prefeito Celso Pitta morre aos 63 anos em São Paulo

Terra - 7h35
Morre o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta

IG - 7h43
Morre em São Paulo o ex-prefeito Celso Pitta

O Globo - 10h39
Morre em São Paulo o ex-prefeito da cidade Celso Pitta

Negros do R7

No pós 20 de Novembro em que trabalhamos todos...



Da esquerda para a direita, os jornalistas: Débora de Lucas, Juliana Damasceno, Miguel Arcanjo Prado, Dayanne Mikevis, Mônica Ribeiro e Ribeiro e Dinalva Fernandes.

Foto: Diego Sapia Maia
Produção: Miguel Arcanjo Prado

domingo, 15 de novembro de 2009

Coluna do Miguel Arcanjo nº 162


O caso de Geisy Arruda e a hipocrisia nossa de cada dia

Por Miguel Arcanjo Prado*


Para Mara Manzan, querida atriz e mulher libertária que nos deixou na última sexta

Causa-me espanto ver pessoas próximas, supostamente inteligentes, modernas e descoladas, moradoras da maior cidade deste país chamada São Paulo, apedrejarem com todas as pedras, tal qual fariseus hipócritas, a estudante Geisy Arruda, aquela que foi expulsa da Universidade Bandeirante, a Uniban, em São Bernardo do Campo (SP), xingada de “puta” por colegas de cérebro atrofiado.

Há até os que condenam tal atitude selvagem dos estudantes diante da jovem, porém sempre emendam suas falas com um “mas...” cheio de argumentos falaciosos sobre o tal vestido curto que a moça usava como efeito provocador de sua desgraça pública. Quanta hipocrisia.

A mim pouco importa que Geisy seja uma garota de 20 anos que goste de provocar os homens, como há tantas neste país cheio de libido e conhecido no mundo todo por ela. Isso não diminui a violência que ela sofreu nem a justifica de maneira alguma.

Como se não bastasse, a selvageria dos estudantes chegou até a direção da tal “universidade” que decidiu expulsar a garota, talvez porque seja mais fácil punir a vítima solitária do que o bando de alunos que alimentam os cofres da instituição que provou ser tão vazia como o cérebro de muitos alunos que a frequentam.

Graças a meu bom Deus, não tive o desprazer de estudar na Uniban. Cursei metade de geografia e o curso inteiro de comunicação social na Universidade Federal de Minas Gerais, a minha agora ainda mais querida UFMG, onde, em dias quentes de verão, ia sem nenhuma culpa de short, camiseta e meu bom e inseparável chinelo havaianas.

Minhas colegas de sala usavam nos pés o mesmo calçado leve, com tops ou miniblusas que deixavam suas barrigas à mostra, e também minissaias que, por sua vez, deixavam suas pernas descobertas, como faziam na geografia minhas amigas, a loura brasileira Maíra Nogueira e a mulata cabo-verdiana Euda Miranda, duas das figuras mais inteligentes e dedicadas ao estudo em minha turma.

Nunca ouvi um chiado sequer sobre a barriga ou as pernas das garotas. Creio eu que tal coisa jamais seria tolerada naquele ambiente, no qual o importante era o conhecimento, não as tais “roupas adequadas”, que mais me lembram o velho e medonho discurso das reuniões das senhoras católicas em defesa de Deus, da família e da propriedade, de poucas e tristes décadas passadas.

Geisy e seu vestido mostraram a todo o Brasil como há hipocrisia e preconceito escondidos e prontos para vir à tona a qualquer momento entre nós. Diante deste caso, de sua repercussão e dos disparates diários sobre o não uso de “roupas adequadas” como justificativa silenciosa para a execração de uma mulher publicamente, tal qual romanos faziam com cristãos, me dá vergonha de pertencer à mesma geração que tais defensores da moral e dos bons costumes. Pobre de Geysi. Pobre do Brasil. Pobre de mim. Pobre de nós.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista, não suporta gente que não tenta rever seus preconceitos e acredita que as pessoas são muito mais, ou menos, do que vestem.

Foto: Julia Chequer/R7

sábado, 14 de novembro de 2009

Mara Manzan (1952-2009)



Acabo de ver Wilson de Santos e Marcelo Médici chorarem no palco do teatro Raul Cortez ao dedicarem a peça A Noviça Mais Rebelde à amiga Mara Manzan, que se foi nesta sexta-feira (13). Dia triste.

Emocionei-me com os dois e lembrei-me da vez que entrevistei Mara, uma semana após ela descobrir o câncer de pulmão de a levou.

Brava. Guerreira. Mulher de verdade, com cara de gente, como me disse hoje meu amigo Aguinaldo Silva. Como ela queria, seu corpo será cremado no Rio, neste sábado.

Saudade de Mara. Viva sua alegria!

Para ler a entrevista que fiz com ela clique aqui.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Coluna do Miguel Arcanjo nº 161



A verdade sobre Claudia Leitte e Alex Lopes

Por Miguel Arcanjo Prado*


O Dia de Finados saiu a contento para o repórter Alex Lopes, da TV Aratu, de Salvador. Depois de bater boca com Claudia Leitte na coletiva de imprensa que ela fez no último sábado, na Costa do Sauípe, ele fez chegar a meio mundo a notícia de que teria sido agredido pelo marido de Claudia, Márcio Pedreira.

Alex Lopes só se esqueceu de contar que persegue Claudia desde que a cantora despontou. E faz isso com ares obsessivos. Além do site Universo Axé, especializado em denegrir a imagem da cantora, Lopes tem até um canal no site YouTube com montagens de vídeos que difamam a loira.

Já perdi a conta de quantas vezes entrevistei Claudia ou fui a coletivas de imprensa promovidas por seu asssessor, Paulo Roberto Sampaio, que, registre-se aqui, é o mais amável e doce que conheci. Com esta larga experiência de falar com a cantora para veículos como a Contigo!, a Folha Online, o Agora ou mesmo o portal R7, nunca vi Claudia brigar ou destratar ninguém. Muito pelo contrário, a figura recorrente foi a de uma cantora gentil e educada com as pessoas que se aproximam dela. O mesmo digo de seu marido, Márcio.

O erro de Claudia foi ter sido tão verdadeira a ponto de tentar olhar nos olhos de Alex Lopes e dar oportunidade a ele de conhecê-la melhor. Claudia repetiu o erro que já havia cometido ao dar entrevista, grávida, para Léo Áquila, do TV Fama. Este colocou na boca da cantora a frase mentirosa de que ela seria homofóbica, diante de uma declaração dada em tom de brincadeira e da qual fui testemunha sobre uma possível orientação sexual de seu filho, então ainda na sua barriga. Fez-se o escarcéu.

Inocente mais uma vez, Claudia não percebeu que, ao deixar Alex Lopes entrar em seu terreno, estava se tornando presa fácil para o bote midiático com o qual o tal repórter sempre sonhara e que, hoje, todo o Brasil conheceu.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e não gosta de quem passa por cima dos outros para se promover.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Fringe abre inscrições


Sabe aquele clima de peça alternativa que só o Fringe, a mostra paralela e independente do Festival de Curitiba, tem? Pois é, as inscrições de projetos para a edição de 2010 do maior evento teatral do Brasil já estão abertas. Se você é bicho do teatro, não vai dar mole e perder, né? Para saber tudo e mais um pouco, basta clicar aqui. Ah, o Festival de Curitiba de 2010 será de 16 a 28 de março próximo. Este vosso Arcanjo fará de tudo para estar por lá, afinal, sem anjo, o festival não tem graça. Hehehehe...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vem aí o filme Besouro...

Caros, vi, ontem, em São Paulo, uma sessão exclusivérrima do filme Besouro. Não gostei da companhia dos colegas da metida sala de exibição, no shopping Cidade Jardim, mas ameio o filme: vivo, colorido, brasileiro, tocante e inteligente.

Veja o trailer e marque na agenda: a estreia é em 30 de outubro!

Ah, meu amigo Daniel Martins, sociólogo dos bons, já fez sua análise sobre o filme (leia aqui!).

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Patrícia Vilela interpreta "Safo" no Satyros



A atriz Patrícia Vilela estreia nesta noite a peça "Safo", escrita especialmente para ela por Ivam Cabral, fundador do grupo Os Satyros. Quem dirige a montagem é outra integrante da trupe: Silvanah Santos. A peça fica em cartaz toda quinta, às 21h30, no Espaço Satyros Um (pça. Roosevelt, 214, Centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345, classificação 14 anos; R$ 30 - inteira - e R$ 15 - meia-entrada). O texto foi inspirado no poema "Safo ou o Suicídio", de Marguerite Yourcenar, e em Virginia Wolf. Na peça, Patrícia é Safo, uma bailarina moderna que vive entre Grécia e São Paulo. Para quem não sabe, Patrícia Vilela é atriz das boas. Em 2008, mostrou talento no palco ao lado de André Fusko, na peça "Sinceramante - Ou a Trágica História de Um Dono da Verdade", na qual interpretou uma menina que não sabia mentir.

(Foto de Laerte Késsimos/Divulgação)

Sandra Corveloni, melhor atriz de Cannes, volta ao teatro em "O Livro dos Monstros Guardados"

Por Miguel Arcanjo Prado



Estou impressionado com a qualidade artística que vi no palco do Teatro Imprensa nesta terça-feira (15), quando vi a estréia da peça "O Livro dos Monstros Guardados", na companhia dos amigos mineiros Daniel Martins e Tereza Cristina.

A montagem do Núcleo Experimental do Grupo Tapa dirigida por Zé Henrique de Paula, dá ainda mais poesia e cor ao belíssimo texto de Rafael Primot, que fala de ausências, pudores, amores, paixões, inseguranças e hipocrisia nossa de cada dia.

A peça integra o dedicado projeto Vitrine Cultural, encabeçado pela amante do teatro Cintia Abravanel, no Centro Cultural Grupo Silvio Santos, com curadoria dos coleguinhas Kil Abreu e Valmir Santos. Ainda há uma boa notícia para quem não tem grana. No primeiro mês de peça, o ingresso custa apenas uma lata de leite em pó, que será doada a quem precisa. Depois de 15 de outubro, passa a ser R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia. Não dá para reclamar, né?

Ah, no elenco da peça está a melhor atriz do Festival de Cannes --coisa que não é para qualquer um-- Sandra Corveloni, que volta aos palcos após o sucesso mundial com o filme "Linha de Passe", de Walter Salles, e a sempre ótima atriz Patrícia Pichamone, de quem sou fã. Ambas excelentes em cena, é claro. O elenco ainda traz Daniel Tavares, Fabio Redkowicz, Fabrício Pietro, Luciano Gatti e Otavio Martins, todos com interpretações marcantes, cada qual a seu modo.

Está esperando o que para ir ao Imprensa assistir? Toda quarta e quinta, às 21h, na r. Jaceguai, 400, Bela Vista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3241-4203.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Minha primeira vez no blog da Guta

Guta Nascimento, jornalista de quem sou fã de carteirinha desde meus primórdios em Belo Horizonte, realizou uma entrevsita com este vosso Arcanjo para a seção "A Primeira Vez" de seu famigerado blog Migrante Digital. Está esperando o que para clicar aqui e dar uma conferida?
Abração!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Roberto Hirao, um exemplo de jornalista

Por Miguel Arcanjo Prado


Um dos meus grandes orgulhos nessa carreira chamada jornalismo, na qual estou há seis anos, é ter trabalhado na mesma redação que Roberto Hirao, em meus oito meses no jornal Agora São Paulo, do Grupo Folha, entre outubro de 2008 e junho de 2009.

Tenho uma baita satisfação em dizer que tomei vários cafés com o Hirao na cantina do 10º andar do famigerado prédio da Folha de S.Paulo, na alameda Barão de Limeira, e que fui um dos privilegiados em conferir as primeiras provas do livro “70 Lições de Jornalismo” (Publifolha, 216 pgs., R$ 29,90), que ele lança neste sábado, às 11h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

O livro é bem simples e direto. Traz 70 colunas que Hirao publicou na Folha da Tarde, nos tempos em que foi ombudsman da publicação já extinta. Cada observação é mais do que preciosa. É um verdadeiro tratado sobre o jornalismo diário, sobre a verdade que cada repórter, editor e redator deve buscar para seu leitor.

O livro do Hirao não deixa de ser também testemunha de uma época importante de nosso país. Ele fala de Collor, de obras públicas na cidade e até do tetracampeonato da nossa seleção canarinho, na Copa de 94. Hirao é sábio na simplicidade de seu texto. Como ele é no dia a dia, coisa que muitos bons jornalistas desse país puderam conferir de perto. Como eu fiz.

Ah, para quem está por fora de quem é Roberto Hirao, aí vão algumas informações básicas: ele começou a carreira no extinto Última Hora. Em 1973, assumiu a editoria de cidades da Folha de S.Paulo. Na Folha da Tarde, foi editor e ombudsman. Atualmente, dá expediente diário como editor da primeira página do jornal Agora São Paulo.

domingo, 2 de agosto de 2009

O pulo das grávidas


Ivete Sangalo, neste sábado à noite, no especial "Uma Hora de Sucesso", no SBT, definiu sua forma física gravidíssima: "Agora eu sou a Ivete Pão de Queijo". Falou e disse. Vamos combinar uma coisa: grávida não tem que se preocupar tanto com o corpo. Vamos deixar a musa baiana ser feliz com seu bebê na barriga. Em tempo: com fôlego impressionante, Ivete pulou tanto quanto Claudia Leitte, que gravou o mesmo programa, também grávida, em 2008. Como me disse na época Claudinha: "Gravidez não é doença!". Foi-se o tempo. Então ficamos assim, bem democráticos: sucesso para as duas! Porque tem espaço pra todo mundo neste mundo. Ah, as fotos são do meu amigo Roberto Nemanis, fotógrafo dos bons da equipe do SBT.

Estômago


Por insistência de minha amiga Gabriela Quintela, vi, em DVD, o longa brasileiro "Estômago" (foto). Adorei. Ótimos atores, com destaque para o protagonista, João Miguel, roteiro amarradíssimo, bem humorado, enfim, um grande filme. Arrependi de não ter ido ver no cinema. Se você ainda não viu, corra na locadora e leve para casa sem culpa!

domingo, 12 de julho de 2009

Coluna do Miguel Arcanjo nº 160



Por Miguel Arcanjo Prado*
Foto de Ricardo Stuckert/Presidência


Enquanto muita gente espera sua morte, ele só pensa em vida. Bravo guerreiro e, antes de tudo, mineiro, segue em frente sempre com um ar que consegue dar a mistura perfeita entre altivez e humildade.

Zé, como quem gosta dele prefere chamá-lo, é homem de fé. Por isso está aí, lutando de pé sempre. Se eu tivesse que resumir tudo que penso sobre o vice-presidente da República, José Alencar, em uma palavra apenas, escolheria dignidade. Antes de tudo, ele é um homem digno.

Sua luta pública contra o câncer não faz ninguém ter pena dele. Muito pelo contrário, gera admiração profunda. Enquanto muitos homens públicos preferem esconder uma doença dessa magnitude até o fim, Zé faz de forma diferente: se expõe sem medo, com toda verdade possível. Ele jamais faz uso sensacionalista de seu estado de saúde, nem permite que outros façam isso. Age como um homem de preceitos e caráter irrepreensíveis faria.

Quando vejo Zé entrar e sair do hospital Sírio-Libanês, nas suas muitas internações ou cirurgias para retirada de tumores, sempre presto atenção na forma serena como conversa com os jornalistas, como conta o que lhe disseram os médicos, na ciência da figura pública e querida que é. Não se incomoda com as perguntas. Responde a todos com carinho de um pai. Também sempre faz questão de agradecer às muitas orações que recebe de conterrâneos como eu e também de gente de todo o Brasil.

Aprendi a admirar o Zé quando fui setorista da Vice-presidência, nos tempos de estagiário na reportagem da Globominas.com, o portal da TV Globo em Belo Horizonte, há três anos. Meu editor naquela época, o grande jornalista Paulo Valladares, me incumbiu de monitorar cada passo do vice-presidente. Ele foi a primeira personalidade da qual ocupei meu fazer jornalístico.

Aprendi a acompanhá-lo em seus feitos e declarações, muitas vezes vistas como insubordinação ao presidente Lula mas que, com o tempo, viraram marca registrada do Zé, sempre com o tom diplomático inerente aos mineiros. Acompanhei também as muitas internações, já que a luta do Zé contra o câncer é antiga. Ficava de olho nos boletins médicos e em sua recuperação.

Sempre quando ele se interna, muitos de meus colegas de profissão já pensam que será a última vez. Sempre rebato e digo, firme: fiquem tranquilos, porque o Zé vai sair dessa. Afirmo isso com a fé que ele mesmo, com sua atitude de vida, me ensinou a ter e manter. Vou com ele até o fim.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e tem orgulho de ser mineiro como José Alencar, ou apenas Zé, como prefere chamá-lo.

sábado, 4 de julho de 2009

Coluna do Miguel Arcanjo nº 159

O Dois de Julho de Claudia Leitte

Por Miguel Arcanjo Prado*
Fotos de Thiago Teixeira/Divulgação


Só dá para entender a literatura de Jorge Amado quando se está na Bahia, terra com costume, linguajar e até civismo próprios. Não é só o requebrar autêntico dos baianos que encanta, mas a forma simples de ver a vida e decifrar o mundo que só aquela terra tem.

No último dia 2 de julho, a Bahia parou, como sempre, para comemorar sua independência do domínio português, alcançada nesta data, no ano de 1823, bem depois do famoso grito de Dom Pedro I às marges do Ipiranga. Como fez para escorraçar os lusitanos, o povo baiano ainda sai às ruas, com bandeirolas e fanfarras, sem deixar de dar um ar de mistério à festa, envolta no misticismo de personagens como o Caboclo e a valente soldado Maria Quitéria de Jesus. Na última quinta, os baianos tiveram um presente extra: o novo show de Claudia Leitte, "Sette", gratuito, em frente ao cartão postal de Salvador, o Farol da Barra.

A convite de Claudinha, saí de São Paulo na manhã do 2 de julho rumo a Salvador em um avião vôo abarrotado de ex-BBBs e que precisou até fazer pouso de emergência em Belo Horizonte, minha terra, por conta de um passageiro que passou mal. Mas, no fim das contas, todos chegamos sãos e salvos ao antigo aeroporto 2 de Julho, que ACM, sem consultar o povo, mudou o nome para Deputado Luís Eduardo Magalhãs, seu filho morto precocemente.

Logo após deixar a mochila no hotel, corri para a Barra. Era uma tarde quente, gostosa, e vi o palco grandioso em formato de concha com 20 metros de boca de cena, nove toneladas de luz, 20 toneladas de som e dez câmeras. Eu que havia deixado uma São Paulo cinza e fria, me alegrei ao me deparar com uma Bahia de céu sem nuvens e com aquele sorriso todo.

Pouco antes de o show começar, Claudia reuniu a imprensa no próprio Farol, para anunciar seu projeto futuro: uma carreira internacional. "Já estou falando inglês e espanhol fluentemente", contou. Também respondeu pela milésima vez como foi a internação do filho, Davi, que está muito bem, obrigado, e falou que Michael Jackson influenciou as coreografias do novo show bem antes de sua morte.

Do lado de fora, uma massa de cerca de 100 mil pessoas se aglomerava. Uma área em frente ao palco foi reservada a fãs inscritos previamente. Do outro lado da rua, o camarote recebia com requintes os mais abonados --entre os quais a penca de ex-BBBs. Mas a graça mesmo estava em ficar com o povo preto, em frente ao palco e longe do ar condicionado dos brancos, como diria minha colega jornalista Janaína Nunes. Mesmo sendo alvo de spray de pimenta da truculenta polícia baiana, do qual também não escapei. Enfim, às 19h40, tudo começou com o estouro de fogos de artifício.

Claudia surgiu acompanhada de 16 bailarinos e 13 músicos em clima de mistério medieval. Misturada entre os dançarinos, todos mascarados, o público só soube quem era ela quando tirou sua máscara. Dançou e cantou seus sucessos por duas horas a fio. Com a força, o vigor e a emoção de estar em sua terra, no meio de seu povo. Coisa que ela disse, visivelmente emocionada. E requebrou até não mais poder ao lado de Léo, do Parangolé, e Ed, do Fantasmão, seus convidados.

Apesar de declarar não ter religião, a cantora fez de Deus seu escudo junto ao público. Agradeceu a Ele o tempo todo, conclamou os fãs a se abraçarem e até chegou a brincar com tudo isso: "Estou parecendo uma pastora", disse. Se as coreografias explicitavam a fonte Michael Jackson, o figurino de Walério Araújo e Yan Acioli deixava Claudia bem parecida com uma Xuxa em seu auge, nos anos 80: bota de vinil até a coxa, tailleur de veludo, saia de tule, anca de metal. Tal qual uma princesinha do axé. Afinal de contas, Claudia é fruto disso tudo.

Bem-humorada, até brincou com a dita rivalidade com Ivete. "Se Ivete parir e o filho dela for menina, Davi vai pegar ela toda", disse, às gargalhadas. O povo foi ao delírio. Na boca do palco, eu só conseguia ver uma coisa: a autenticidade tão baiana desta cantora, simples como a sua gente, apesar do status de superstar, com o qual sabe lidar muito bem.

Enquanto Claudia comandava a massa, por um intante lembrei-me do dia em que ficamos amigos, há cerca de dois anos, em uma sessão que ela fazia no estúdio do fotógrafo André Schiriló, cujo making off acompanhei para a revista "Contigo!", ao lado da fotógrafa Silvana Garzaro. Lembro-me que, depois do trabalho, desligamos o gravador, rimos e falamos besteira durante toda aquela tarde. Coisa rara entre jornalistas e artistas. Como se diz na Bahia, o santo bateu, com aquela ligação de pertencemos a uma mesma geração --Claudia é só um ano e meio mais velha do que eu-- e enxergarmos a vida do mesmo modo. Foi isso que me passou pela mente enquanto o povo a aplaudia. Saí daquele show com a alma leve, diante da clareza, verdade e sinceridade de Claudia Leitte, tão exposta ali. Dádiva que poucos artistas conseguem ter.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista, afilhado de Zélia Gattai, fã de Jorge Amado, amigo de Claudia Leitte e não sabe quantas vezes já foi à Bahia. Para Mateus Schimith, ator e amigo capixaba, quase mineiro e novo soteropolitano, que me acompanhou neste show.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Claudia vive emoção da largada para nova turnê

Por Paulo Roberto Sampaio*

Será um show inesquecível, assim como o que levou quase um milhão de pessoas às areias da praia de Copacabana em fevereiro do ano passado. Dessa vez, a alegria invade o Farol da Barra, em Salvador neste 2 de Julho, Independência da Bahia. Um lugar especial, onde o horizonte, título da música de trabalho de Claudia, esconde um pôr-do-sol dos mais belos.

- Todos os compromissos associados à festança que vamos fazer no Farol da Barra, no próximo dia 2, estão me enlouquecendo. Ontem, quando cheguei de viagem, dei uma volta pela cidade e vi os outdoors e as placas que tomam conta do circuito do carnaval e anunciam o evento. Pode parecer bobagem pra vocês, mas eu fico emocionada quando vejo as coisas acontecendo... A estrutura do palco já está montada, as coreografias - acreditem coincidentemente inspiradas em Michael Jackson - estão lindas, o repertório afiado, os arranjos ricos e gostosos – assegura Claudia.

E cada detalhe da festa está sendo cuidadosamente traçado. Serão 9 toneladas de luz, 20 toneladas de som, mais de 1.000 KWA de energia e uma dezena de câmeras para filmar e documentar cada detalhe do mega-evento. O palco terá o conceito Orbit (em formato de concha) com 20 metros de boca de cena e revestido em material translúcido para poder aparecer o Farol da Barra atrás.

- Quando eu era criança adorava ir para o clube nos fins de semana. Eu e meu irmão costumávamos dar cambalhotas na piscina e, quando isso acontecia, eu chamava meus pais para assistirem aos saltos: "Olha o que sei fazer!" Estou me sentindo assim agora. Quero dar o melhor de mim para minha terra. Um salto no melhor estilo Maurren Magi – brinca ela, cheia de energia.

E Claudia prevê um show inesquecível, para o qual terá alguns convidados muito especiais:

- Convidei Leo, do Parangolé, e Ed, do Fantasmão, para "darem show" no Farol da Barra. Preparei um camarote especial para vocês e vou ter o privilégio de estar com meus melhores amigos e com minha família. Este salto vai ser duplo. Rs Já nem durmo direito, tamanha a ansiedade. Quanto ao DVD, já está sendo produzido. Selecionei a maioria das músicas, comecei a gravá-las e convidei artistas extraordinários para gravarem comigo. Vocês vão ter muitas surpresas. Eu já estou me surpreendendo – diz ela muito feliz.

O evento, além de celebrar a Independência da Bahia, marcará o lançamento nacional da nova turnê da musa baiana denominada Sette. Sete com dois “t”, assim como Leitte, de Claudia Leitte.

- Estou muito feliz por estar em casa. Fazer um show aberto ao publico é um presente que queria dar a mim mesma e a minha terra faz algum tempo. Planejávamos este evento para o ano passado, mas o adiamos. Agora ele irá acontecer uma semana antes do meu aniversario e, portanto, sinto-me realmente agraciada. Estou vivendo uma fase muito especial que, tenho certeza, antecipa grandes mudanças em minha vida e tanta felicidade precisa ser compartilhada com os meus companheiros, na minha casa, Salvador – diz Claudia.

A escolha do 7 para denominar a turnê mistura a busca pela perfeição e o desejo de imprimir um ritmo ainda mais eletrizante ao seu trabalho. Uma nova etapa após um começo arrasador na praia de Copacabana, no Rio. E para tanto, alguns elementos contribuíram decisivamente.

Claudia nasceu em julho, sétimo mês do ano. Seu nome tem sete letras: Claudia. Começou a despontar para a música no Babado Novo, numa banda à época formada por sete integrantes. Teve a confirmação que estava grávida no dia 7 de julho: 07/07. Gravou seu primeiro DVD solo, que marcou o início de sua carreira, no dia 17 de fevereiro, na praia de Copacabana.

Mesmo não sendo mística, admite que o sete seja um número marcante em sua vida e pretende fazer dele um símbolo, principalmente depois que descobriu que o sete é o número da perfeição e ela busca isso em tudo que faz. Sete são as notas musicais e a música está presente em cada instante de sua vida.

Sete são os pecados capitais – vaidade, avareza, ira, preguiça, luxúria, inveja e gula – e a todos condena, assim como sete são as virtudes – castidade, generosidade, temperança, diligência, paciência, caridade e humildade - e entre elas, exalta acima de tudo a generosidade e a humildade.

Ah, sim. Seu show começa às 7 da noite, é bom não esquecer.

*Paulo Roberto Sampaio é jornalista e assessor de imprensa de Claudia Leitte.

Festa de despedida do Agora

Apartamento da avenida São João, São Paulo, 25 de junho de 2009: o fatídico dia em que Michael Jackson morreu. Acabou recebendo homenagem.



De pé: Sérgio Carvalho, Marina Yakabe, Bruno Motta, Fabíola Reipert e Gabriela Quintela; Agachados: Rafael Carvalho, Mariana Garcia, Miguel Arcanjo Prado, Nany People e Mônica Ribeiro


Mônica Ribeiro, Nany People e Gabriela Quintela


Rafael Carvalho, Nany People, Bruno Motta e Miguel Arcanjo Prado


Gabriela Quintela, Alberto Pereira Jr, Miguel Arcanjo Prado, Fabíola Reipert, Felipe Cirelli e Rafael Carvalho


Fabíola Reipert


Sérgio Carvalho, Miguel Arcanjo Prado, Mariana Garcia e Fabíola Reipert


Miguel Arcanjo Prado e Gabriela Quintela


Miguel Arcanjo Prado e Marina Yakabe


Fabíola Reipert e Miguel Arcanjo Prado


Rafael Carvalho e Miguel Arcanjo Prado

domingo, 28 de junho de 2009

Coluna do Miguel Arcanjo nº158

Despedida

Por Miguel Arcanjo Prado*


Sou do tipo que odeia despedidas. Sabe aquele lamúrio sem fim de abraços e chororô? Estou fora. Já fiz muito, é verdade, mas vi que não vale a pena. Prefiro um até mais, a gente se vê em breve. Acho que tem que ser assim, sem tramas, sem dramas.

Na última sexta, vivenciei o partir ao deixar a redação do jornal "Agora São Paulo" e, por conseguinte, o Grupo Folha, após pouco mais de um ano de casa. Mudar de emprego às vezes é necessário, ajuda a crescer, a ficar maduro. Mas, mesmo quando a decisão de sair é sua, é difícil dar tchau àqueles que fizeram parte de sua vida de forma tão intensa, ainda mais em um jornal no qual se trabalha muitas vezes 12, 14 horas diárias. Tamanha intensidade acaba criando dependência mútua, fruto de uma relação de cumplicidade e, sobretudo, companheirismo.

Para coroar minha despedida, Michael Jackson resolveu morrer, de supetão, bem nos meus momentos derradeiros. Assim como eu, meu xará norte-americano não quis saber de sofrimento prolongado. De preparo anterior à morte. Simplesmente se foi. De uma vez só. Deixando todos nós atônitos diante da força que só a verdade da morte tem.

E, nós, jornalistas, tão boquiabertos como o resto do mundo, tivemos ainda que deixar nossos sentimentos de lado e correr de cara para o trabalho insano de fechar um jornal de acordo com a magnitude daquela notícia. E lá fui eu contar o triste acontecimento para a Glória Maria e depois correr para falar com a turma do Olodum... No outro dia, dá-lhe ligar para as lojas de disco e outras coisas mil...

No fim, eu, que sou tão apaixonado pela notícia, gostei de todo aquele frenesi. Sair trabalhando que nem um louco acabou não dando espaço para a tristeza, para os abraços chorosos. No finzinho daquela sexta, tirei minhas coisas da gaveta quase despercebido e caminhei para a vida.

Ps. O episódio da morte de Michael Jackson fez com que o jornalismo "metido a sério" fosse obrigado a olhar com respeito para o dito "jornalismo de celebridades" ou "de fofoca", já que o furo dessa notícia pertece ao site "TMZ", especializado no mundo dos famosos e tão desprezado por muitos até que provou ao mundo todo saber fazer um irrepreensível trabalho jornalístico, como qualquer outro, tapando a boca de muita gente grande.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e segurou uma lágrima.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson: 1958-2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Novidade no SBT

Por Miguel Arcanjo Prado

O SBT estreia nova grade a partir de 6 de julho. Adianto dois novos programas: o game "Você Se Lembra?" (do formato internacional "Amnesia", que lembra o extinto de "Nada Além da Verdade"), apresentado por José Américo --José Luiz Datena Datena e Kelly Key já gravaram--, e "Só Falta Esposa", uma espécie de concurso de mulher querendo o bonitão do programa, que não vai ter apresentador. Queriam fazer "Só Falta Marido", mas as inscrições de homens foram fracas.