terça-feira, 24 de março de 2009

Crítica: Quatro jovens em busca do pop

Por Miguel Arcanjo Prado

O “Rehab” na voz de Amy Winehouse que a platéia escuta já do lado de fora do TUC, serve de pré-ambientação para “Óquei!”, montagem que a Cia. Transitória apresenta neste Festival de Curitiba –recurso igual, inclusive a mesma música, era utilizado no espetáculo “Sexo Verbal”, que cumpriu temporada recente em São Paulo. Mas tudo bem, Amy é mesmo muito boa e o melhor: é da nossa geração.

De repente, some o vozeirão de Amy e o público é convidado a entrar. Logo, o espectador vê o CD virar vitrola anos 80, com Madonna acima de tudo e todos com sua batidíssima e ainda ótima “Like a Virgin”. Vestidos com ares futuristas, o quarteto Kelly Eshima, Flávia Sabino, Thiago Inácio e Zé Eduardo se saracoteiam tal qual os bailarinos da diva pop. Descem, levantam, jogam as pernas e fazem coreografias de jogos sexuais.


Vestidos com biquínis e sungas, os atores são cobertos com capas de chuva transparentes e calçam galochas de plástico, o que transparece o ar futurista-pop almejado com afinco pelo jovem grupo.

Após a dança enérgica, eles começam a falar o texto de David Ives, sentados em duas cadeiras, com os sugestivos nomes de Madonna e Caetano. O quarteto se reveza na disputa por um lugar, sempre ocupado por outro que há de vir, num descortinamento da dificuldades das relações humanas por mais simples que sejam e da tensão sexual presente em todas as relações.

Outras referências gays além das já citadas surgem, como a música “Eu Comi a Madona”, de Ana Carolina. Bem-humorada, a montagem utiliza-se até de um axé coreografado em um dos momentos de maior bizarrice.

Outra cena divertida é quando o elenco utiliza-se de bichos de pelúcia para repetir o texto dado anteriormente por eles. Fica divertido e provocativo. Tem um quê de adolescente que não sabe para onde ir e volta automaticamente à infância, quando tudo era possível e dado. Uma quase síndrome de Peter Pan.

Além dos bichinhos, há até a referência do pastelão, como quando eles jogam água uns nos outros, arrancando risinhos simpáticos da plateia da mesma forma que "O Gordo e o Magro" faziam.

A montagem é despretensiosa e cumpre o que promete: mistura tudo o que é possível em um caldeirão de referências múltiplas e essencialmente jovem e pop.

Foto: Lina Sumizono/Clix

Um comentário:

heroina disse...

guel arcanjo porque maria soniamaria no limpo hebe tem na sua mao dureuta um serpente gigante que chega ate minha rua,mas nao passa dentro de casa hehehehehe,deixa queto eu sonhei é tudo um sonho.